
Paris, 06 mai 2026 (Lusa) – O porta-aviões francês “Charles de Gaulle” e a sua escolta atravessaram hoje o canal do Suez para se posicionarem na região do Golfo Pérsico, anunciou o Ministério das Forças Armadas.
O envio do porta-aviões francês realizou-se para a eventualidade de ser lançada uma missão, promovida por Londres e Paris, para restabelecer a navegação no Estreito de Ormuz.
“O porta-aviões ‘Charles de Gaulle’ e os seus navios de escolta transitaram pelo canal do Suez hoje, 06 de maio de 2026, a caminho do sul do mar Vermelho”, indicou o ministério num comunicado.
A decisão visa “agilizar a execução desta iniciativa assim que as circunstâncias o permitam”, acrescentou.
O Presidente francês, Emmanuel Macron, e o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, estão por detrás de uma iniciativa para garantir a segurança da navegação no estreito, bloqueado desde o início do conflito que desde 28 de fevereiro opõe o Irão aos Estados Unidos e a Israel.
Esta potencial missão de segurança, que só pôde ser desencadeada depois de as hostilidades terem cessado, pretende ser “neutra e claramente separada dos beligerantes”, afirmou em meados de abril o chefe de Estado francês.
Os “mais de 40 países” que nela participam iniciaram o planeamento militar em Londres, segundo o Ministério das Forças Armadas francês.
“A movimentação do grupo aeronaval é independente das operações militares iniciadas na região e complementa o dispositivo de segurança existente”, reafirmou hoje o ministério.
A sua presença perto do Golfo Pérsico vai permitir “uma avaliação do ambiente operacional regional antes do lançamento da iniciativa” e “o fornecimento de mais opções de saída da crise para reforçar a segurança regional”, indicou.
O grupo aeronaval francês deverá igualmente permitir “integrar os meios dos países que desejam enquadrar as suas ações numa estrutura defensiva e adequada, respeitadora da Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar”, acrescentou.
O porta-aviões, que transporta cerca de 20 caças Rafale e é escoltado por várias fragatas, partiu de Toulon no final de janeiro para um destacamento no Atlântico-Norte.
A 03 de março, foi redirecionado para o Mediterrâneo Oriental, onde se tem mantido desde então, para defender os interesses franceses e dos países aliados afetados pela retaliação iraniana aos ataques israelitas e norte-americanos.
O bloqueio do estreito de Ormuz prosseguiu apesar do cessar-fogo que entrou em vigor a 08 de abril.
Em resposta, Washington impôs um bloqueio aos portos iranianos e, em seguida, lançou na segunda-feira a operação “Projeto Liberdade” para permitir que centenas de navios presos no Golfo atravessassem o estreito, uma operação que foi suspensa na terça-feira à noite pelo Presidente norte-americano, Donald Trump.
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