
Porto, 06 mai 2026 (Lusa) — O ilusionista de carreira internacional Helder Guimarães inaugura a 21 de maio, no Porto, um estúdio de trabalho e apresentações, abrindo o Time for Magic com um espetáculo intimista para 22 pessoas, disse o próprio à Lusa.
No número 17 da Rua da Picaria, por entre os muitos restaurantes por que esta artéria da baixa portuense ficou conhecida nos últimos anos, uma porta com cortinas vermelhas dá entrada a um espaço que, para já, Helder Guimarães, natural desta cidade, quer manter por descobrir.
É ali que começará por apresentar um espetáculo em que o público se senta em seu redor, apresentando, assim, a sua abordagem à magia e também o próprio estúdio.
“O meu objetivo era ter um espaço onde eu pudesse efetivamente trabalhar, conceber os meus próximos projetos. Mas, ao mesmo tempo, quando comecei a perceber que se calhar haveria a possibilidade de abrir portas dos estúdios, achei que isso se começava a tornar uma coisa interessante, até mesmo para a própria divulgação da arte mágica, que é uma coisa que em Portugal infelizmente não tem grande expressão, acho”, revela.
Este “desejo antigo” foi ganhando forma no último ano, com recurso a alguns materiais que já tinha na sua posse, como uma mesa construída para um espetáculo idêntico, que apresentou nos Estados Unidos, e à volta da qual o público se sentará nesta primeira performance, que inclui alguma participação, humor e muita palavra, com a história como fio condutor.
Pelas paredes, objetos que têm histórias por detrás juntam-se a livros de magia, retratos de famosos ilusionistas, cartas e notas de dólar, num espaço tanto de trabalho como de ‘estudo’ da arte.
“Acho que a maior parte das pessoas não faz a mínima ideia do que é que significa ser um mágico nos dias de hoje, e o que é o trabalho, o tipo de trabalho que eu faço, que é um trabalho mais de manipulação, de treino muito rigoroso, de literalmente passar, por vezes, anos a conseguir dominar uma determinada técnica, que [depois] numa atuação não dura mais do que dois segundos”, conta.
Por um lado, “a beleza” da arte a que tem dedicado a vida, vista de perto, por outro “a intensidade” do olhar, sem “distrações ou lantejoulas, é tudo presente”.
Em cima da mesa estará o trabalho com cartas por que foi ficando conhecido, mas também uma partilha que “não é possível duplicar num teatro”, a história e um sentido de que, ali, se vive uma “coisa muito especial, única e intimista”, seja pela mão de Helder Guimarães seja por outros convidados, sejam internacionais ou nacionais.
“A partir de setembro, provavelmente será outro ciclo diferente, e vamos ver exatamente o que é que é, porque isto aqui é a base do meu trabalho. […] Já há algum tempo tenho um projeto, ‘online’, dedicado a pessoas que têm algum interesse em aprender comigo e a minha abordagem à arte mágica, e este espaço vai servir quase como um quartel-general”, afirma.
Várias vezes premiado no estrangeiro, a carreira internacional levou-o a apresentar espetáculos, nos últimos anos, de Los Angeles a Tóquio, de Melbourne a Nova Iorque, e agora regressa ao Porto para não só trabalhar em projetos de larga escala como curar apresentações intimistas, como a que apresenta a partir deste mês, ou de outros mágicos.
O espaço, de resto, acolherá sessões em português e em inglês, para acomodar os dois tipos de público que acabarão por estar interessados, dos mais especializados aos mais curiosos, dos profissionais internacionais aos aspirantes nacionais.
“Tenho alguma ideia de conseguir trazer cá mágicos portugueses que ou se estão a revelar ou têm trabalhos interessantes. Até mesmo alguns que possam sair de uma formação e apresentarem-se aqui”, admite.
Os bilhetes para as apresentações de abertura do Time For Magic, a partir de 35 euros, podem ser adquiridos no próprio espaço ou ‘online’.
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