Cuba acusa EUA de “crimes internacionais” após novas sanções

Havana, 05 mai 2026 (Lusa) — O Governo cubano classificou hoje como “crimes internacionais” e “genocidas” as mais recentes medidas adotadas pelos Estados Unidos (EUA) contra Havana, incluindo o embargo ao petróleo e o alargamento das sanções económicas contra a ilha caribenha.

O ministro dos Negócios Estrangeiros de Cuba, Bruno Rodríguez, afirmou que tanto o embargo energético imposto em janeiro como as novas medidas coercivas extraterritoriais constituem uma agressão direta ao país.

“Tanto o embargo económico e energético como as novas medidas coercivas extraterritoriais (…) são crimes internacionais”, escreveu Rodríguez nas redes sociais.

No sábado, o Governo cubano já tinha prometido que não se deixaria intimidar, depois de o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ter ameaçado tomar o controlo da ilha “quase de imediato”.

“Nós, cubanos, não nos deixamos intimidar. A resposta decidida do povo e o seu apoio à Revolução foram demonstrados de forma massiva neste 1.º Maio”, escreveu Rodríguez, nas redes sociais.

Hoje, o chefe da diplomacia cubana acusou ainda Washington de hipocrisia por criticar a situação económica em Cuba, alegando que os EUA têm conduzido durante décadas uma política destinada a fragilizar o país através de sanções.

As declarações surgem após Trump ter assinado, na passada sexta-feira, uma ordem executiva que amplia significativamente as sanções, podendo atingir entidades estrangeiras que mantenham relações económicas com Cuba, nomeadamente nos setores da energia, defesa e finanças.

A nova medida junta-se ao embargo petrolífero decretado em janeiro, que prevê penalizações para países ou empresas que forneçam crude à ilha, agravando uma crise energética já profunda.

Segundo analistas, o reforço das sanções poderá aumentar o isolamento económico de Cuba e intensificar problemas como escassez de combustível e cortes de energia.

Washington tem defendido estas medidas como forma de pressionar Havana a introduzir reformas políticas e económicas, enquanto o Governo cubano insiste que essas questões são matérias soberanas e não negociáveis.

Apesar das tensões, ambos os países reconheceram a existência de contactos diplomáticos, embora sem detalhes públicos sobre o conteúdo ou eventuais progressos das negociações.

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