Brasil poderá exportar ‘jetfuel’ para Portugal caso seja necessário – Governo

Lisboa, 05 mai 2026 (Lusa) – O Brasil poderá aumentar a exportação de combustível para aviação (‘jetfuel’) caso venha a escassear nos aeroportos portugueses, disse hoje a ministra do Ambiente e Energia, Graça Carvalho, no parlamento.

A governante disse que foi durante a recente visita a Portugal do Presidente Lula da Silva que obteve a garantia, por parte do ministro brasileiro da Energia e Minas, de que o Brasil poderá fornecer ‘jetfuel’ a Portugal, caso venha a ser necessário.

Durante uma audição regimental no parlamento, a ministra do Ambiente garantiu que a Galp assegura a produção de 80% das necessidades de ‘jetfuel’ e que tem “contratos seguros e fornecedores seguros para os restantes 20%”.

Admitiu, no entanto, que caso exista um agravamento da crise energética, “poderá haver alguma contenção” no fornecimento de combustível para aviação no fim do verão.

“Estamos tranquilos, monitorizamos a situação todas as semanas e estamos em contacto com países fornecedores”, disse ainda.

A Galp tem assegurado que não se antecipam disrupções do fornecimento de combustível para a aviação, apesar das perturbações no abastecimento criadas pela guerra do Irão, estando já a adotar medidas para reforçar a segurança de abastecimento e armazenagem.

A Comissão Europeia também tem garantido que não existe escassez de combustíveis na União Europeia, mas que está a preparar-se para possíveis falhas no combustível para aviação.

Os alertas inserem-se num contexto de crise energética na UE, marcada por vulnerabilidades no abastecimento e por choques externos sucessivos, já que o bloco comunitário é dependente de importações de petróleo e derivados e está, por isso, sujeito às perturbações geopolíticas, nomeadamente no que toca ao fornecimento de querosene de aviação.

A guerra no Irão, causada pelos ataques dos Estados Unidos e de Israel e que agora está num período de cessar-fogo, pode afetar rotas estratégicas de transporte de petróleo, como o Estreito de Ormuz, pressionando ainda mais os preços e a disponibilidade de combustíveis, com impacto direto no setor da aviação europeia.

Perante essa instabilidade, o setor da aviação e autoridades têm reforçado medidas de contingência, com algumas companhias aéreas a avançar mesmo para a redução de voos devido ao aumento dos custos de combustível.

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