Médio Oriente: Banco Central do Brasil espera efeitos da guerra na inflação até 2028

Brasília, 05 mai 2026 (Lusa) – O Banco Central (BC) do Brasil informou hoje que espera efeitos da guerra do Médio Oriente na inflação “para horizontes mais longos, em particular para o ano de 2028”.

A informação consta na ata do Comité de Política Monetária (Copom), que se reuniu na semana passada para baixar a taxa básica de juros da economia em 0,25 pontos percentuais, de 14,75% para 14,50% ao ano.

É o segundo corte realizado pela autoridade monetária em plena guerra no Médio Oriente, que tem provocado pressão inflacionária no mundo. 

Em comunicado divulgado na semana passada, o BC não deu qualquer sinalização no comunicado sobre se, na próxima reunião, a acontecer em junho, irá cortar, subir ou manter a taxa de juros. 

Por norma, o Banco Central brasileiro divulga a ata uma semana após a reunião do comité e a novidade, desta vez, é que a autoridade monetária indica que o ciclo de corte na inflação talvez seja menor do que o próprio BC projetava antes da guerra. 

A redução da inflação oficial na semana passada repete o movimento do BC realizado em março, quando foi iniciado o ciclo de “calibração” da taxa básica de juros.

Mesmo com a queda de 0,25 pontos percentuais, a inflação oficial no país permanece elevada, no maior patamar desde outubro de 2006, num esforço da autoridade monetária em manter os juros dentro da meta. 

“Debateu-se que a duração do conflito até esse momento pode ter sido suficiente para materializar alguns riscos, sendo o mais evidente a desancoragem adicional das expectativas de inflação para horizontes mais longos, em particular para o ano de 2028”, informa a ata do Comité.

Desancoragem é o termo técnico usado pela autoridade monetária sobre expectativa da inflação estar fora da meta.

“As expectativas de inflação, medidas por diferentes instrumentos e obtidas de diferentes grupos de agentes, que seguiam em trajetória de declínio, subiram após o início dos conflitos no Médio Oriente, permanecendo acima da meta de inflação em todos os horizontes”, sublinhou.

O Comité de Política Monetária referiu ainda “serenidade e cautela na condução da política monetária”, perante o “aumento de incertezas” futuras sobre o conflito no Irão para dar “passos futuros” no processo de “calibração” da taxa básica de juros.

A taxa básica de juros é o principal instrumento de política monetária utilizado pelo Banco Central do Brasil para controlar a inflação.

Ainda na avaliação do cenário externo, o Banco Central brasileiro avalia que permanece incerteza relativamente às ações económicas dos Estados Unidos.

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