Mastercard faz a primeira transação com agente IA real em Portugal

Lisboa, 05 mai 2026 (Lusa) – A Mastercard fez hoje a primeira transação com um agente IA (inteligência artificial) real em Portugal, “feita com credenciais de um cartão português”, no dia em que apresentou o Centro de Excelência para a Inovação, em Lisboa.

“O que nós assistimos hoje foi uma transação ‘agentic'[utilizando o Agent Pay] feita com credenciais de um cartão português, ou seja, uma transação real”, salientou o ‘country manager’ da Mastercard em Portugal, em resposta a questões dos jornalistas no final do evento.

Agora, “é uma questão de ‘deployment’ [desenvolvimento] comercial, ou seja, do ponto de vista prático, os cartões portugueses hoje estão todos preparados para entrarem em ‘agentic'”, acrescentou Paulo Raposo.

Ou seja, na componente de quem vai pagar, “o nosso papel é fazer o ‘enablement’ [preparação] de todos os cartões e isso está feito”, asseverou.

Na transação com o agente IA existem procedimentos de autenticação, que garantem quem é que está a fazer a compra, que “as credenciais são verdadeiras”, que o pagamento é legítimo e que, a qualquer momento, se a pessoa mudar de opinião, pode cancelar aquela compra.

Questionado sobre qual é o grande desafio para empresas como a Mastercard que estão a desenvolver agentes IA, Paulo Raposo destacou “todo o investimento” que a empresa fez em termos de “autenticação e a certificação” para que quando um agente entra em campo seja “credível”.

“Nós temos que o certificar, temos que garantir que aquele agente é um agente bom porque sabemos claramente que o espaço da IA vai ajudar muito a vida dos consumidores e das empresas, mas também vai criar desafios”, salientou.

Relativamente ao euro digital, o ‘country manager’ da Mastercard em Portugal referiu que a empresa acompanha com atenção o tema.

“É uma área que é concorrencial connosco”, referiu, mas que desafia a empresa a fazer melhor.

Quanto ao investimento no Centro de Excelência (‘hub’) para a Inovação, o responsável escusou-se a adiantar números.

“O que eu vos posso dizer é que somos hoje cerca de 600 pessoas neste edifício. Foi um investimento que a Mastercard fez em quadros altamente qualificados, estamos a falar de gente que vem da área da engenharia de software, da ciência de dados, obviamente pessoas na área da gestão e digamos que o retrato social que temos aqui dentro é exatamente esse”, enquadrou.

A média de idades é de 34 anos.

“O ‘hub’ tem atraído talento, não só talento local”, sendo que “72% destas pessoas são portuguesas”, prosseguiu.

Este Centro de Excelência para a Inovação começou há cinco anos, como embrião, e “neste período houve um processo de crescimento, de consolidação, inclusivamente de integração de competências, porque nem todas as competências estavam pensadas desde o início”, explicou.

“O que foi claro para nós foi que havia talento, havia condições para trazer essas pessoas e estamos agora num patamar em que claramente o Centro de Excelência faz sentido, está a cooperar em rede com outros centros de excelência na Europa”, disse Paulo Raposo.

Segundo o responsável, a empresa é fundamentalmente de tecnologia: “Hoje estamos muito para lá do cartão”, embora este continue a ser um elemento fundamental.

“O nosso ‘hub’ é basicamente inovação”, assente em ‘core product’, cibersegurança, plataforma de dados, combate à fraude, utilização de IA.

A inteligência artificial “hoje é uma camada que se aplica a tudo o que estamos a fazer, mas também desenvolvimento de produto, suporte a produto, ou seja, há toda uma especialização, se quiserem, que está aqui baseada em Lisboa”, sublinhou, referindo que o Centro de Excelência trabalha em rede com os outros centros da Mastercard.

Segundo Kelly Devine, presidente da Mastercard na Europa, o compromisso da empresa “de investir em vários mercados europeus reflete uma estratégia centrada na inovação” e “Portugal tem capacidade para acolher e desenvolver operações tecnológicas em grande escala, contribuindo para a competitividade e a força internacional do país”.

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