
Milão, Itália, 04 mai 2026 (Lusa) — O Ministério Público de Roma abriu uma investigação por sequestro de pessoas após a apresentação de três queixas na sequência da interceção, na semana passada, de embarcações da “Flotilha para Gaza” por forças israelitas.
O alegado crime de sequestro de pessoas diz respeito ao espanhol Saïf Abu Keshek e ao brasileiro Thiago Ávila, atualmente detidos em Israel e que, no momento em que foram detidos em águas internacionais, ao largo de Creta (Grécia), se encontravam numa embarcação com pavilhão italiano, afirma a imprensa italiana, citando fontes próximas do processo.
Cerca de 175 ativistas de várias nacionalidades foram detidos na última quinta-feira em 20 embarcações desta nova frota que, segundo os seus organizadores, tinha como objetivo quebrar o bloqueio israelita do território palestiniano, onde o acesso à ajuda humanitária continua fortemente restringido.
A 01 de maio, as autoridades israelitas anunciaram que os ativistas detidos já se encontravam na Grécia com exceção de dois, Saïf Abu Keshek e Thiago Ávila, levados para Israel para interrogatório, o primeiro por “suspeita de pertencer a uma organização terrorista”, o segundo por “suspeita de atividades ilegais”, sem especificarem as acusações.
A detenção, conduzida “pacificamente” segundo Israel, ocorreu a centenas de quilómetros de Gaza, em águas internacionais ao largo de Creta, muito mais longe da costa israelita do que as anteriores interceções de frotas, tendo vários países denunciado o que classificam como uma operação “ilegal”.
Esta foi a segunda tentativa da frota “Global Sumud” de aceder à Faixa de Gaza, depois de, em 2025, na sua primeira viagem, várias centenas de ativistas, incluindo portugueses, terem sido detidos no mar, transferidos para Israel e posteriormente expulsos, o que levou também na ocasião o Ministério Público de Roma a abrir uma investigação.
Imediatamente após a interceção das embarcações da flotilha em águas internacionais, o governo italiano liderado por Giorgia Meloni condenou o sucedido e exigiu “a libertação imediata de todos os italianos detidos ilegalmente”.
Desde o frágil cessar-fogo que entrou em vigor em outubro passado na Faixa de Gaza, o exército israelita controla mais de metade do pequeno território palestiniano costeiro, onde o acesso à ajuda humanitária continua a ser amplamente restringido.
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