Albufeira da moçambicana Cahora Bassa recupera água após mínimos históricos

Maputo, 04 mai 2026 (Lusa) – A albufeira da barragem moçambicana de Cahora Bassa, uma das maiores em África, recuperou para 56% a capacidade de armazenamento de água, após mínimos históricos, com a administração a admitir agora uma produção superior ao previsto em 2026.

Numa informação enviada à Lusa pela Hidroelétrica de Cahora Bassa (HCB), sobre o desempenho de 2025 e previsões para os próximos meses, a empresa admite que as perspetivas para 2026 “são encorajadoras, refletindo a recuperação dos níveis de armazenamento de água na albufeira, atualmente situados em 56%”.

Este nível de armazenamento, diz a HCB, “poderá viabilizar um aumento da produção para níveis superiores ao planificado”, que foi de 11.716,76 GigaWatt-hora (GWh), correspondendo a um crescimento superior a 7,29% em relação ao ano de 2025.

“A empresa continuará focada na gestão prudente dos recursos, na eficiência operacional e na adoção de soluções tecnológicas que reforcem a fiabilidade do sistema energético”, refere ainda, acrescentando que o ano de 2025 “ficou marcado por desafios operacionais decorrentes da redução contínua do armazenamento de água” na albufeira de Cahora Bassa, que, no final da época chuvosa 2024/2025, se situava em 26,01%.

“Em resposta, a empresa implementou um programa de restrição e recuperação que permitiu melhorar os níveis de armazenamento para 27,23% a 31 de dezembro de 2025, acima dos 21,19% registados no período homólogo de 2024, sinalizando uma trajetória de recuperação”, afirma a HCB, recordando a produção de 10.921 GWh no ano passado, ainda assim menos 30% em termos homólogos.

A HCB é uma sociedade anónima de direito privado, detida em 85% pela estatal Companhia Elétrica do Zambeze e pela portuguesa Redes Energéticas Nacionais (REN) em 7,5%, possuindo a empresa 3,5% de ações próprias, enquanto os restantes 4% estão nas mãos de cidadãos, empresas e instituições moçambicanas.

A albufeira de Cahora Bassa é a quarta maior de África, com uma extensão máxima de 270 quilómetros em comprimento e 30 quilómetros entre margens, ocupando 2.700 quilómetros quadrados e uma profundidade média de 26 metros, contando com quase 800 trabalhadores, sendo uma das maiores produtores de eletricidade na região austral africana, abastecendo os países vizinhos.

A produção de eletricidade em Moçambique caiu 25% em 2025, influenciada pela falta de água na albufeira da HCB, após o “pior registo pluviométrico” em 43 anos, segundo informação oficial noticiada antes pela Lusa.

Num relatório de execução orçamental de 2025, o Governo aponta que a produção global de energia elétrica no país foi de 14.408.381 MegaWatt-hora (MWh) – 14.408,3 GWh -, uma execução de 76,7% em relação ao plano anual e menos 25,4% face a 2024.

“A baixa produção deveu-se em grande medida ao fraco desempenho das centrais hídricas, que no período em análise, registaram um grau de execução de 72,3% e um decréscimo de 30,7% face ao mesmo período de 2024”, lê-se no documento.

O país “é o maior produtor de hidroeletricidade na África austral” e “quase toda a sua produção provém da HCB”, sendo “complementada por outras pequenas barragens sob gestão” da Eletricidade de Moçambique, acrescenta o relatório.

Em 2025, segundo o mesmo texto, as centrais hídricas geraram 11.207.934 MWh — 11.207,9 GWh -, menos 30,7% face a 2024, desempenho explicado “em grande medida, pelos efeitos do fenómeno El Niño, que afetam a central da HCB desde 2023”.

“A escassez de precipitação na bacia do Zambeze [onde funciona a HCB] reduziu a disponibilidade de água nas principais albufeiras do país (Corumana, Mavuzi e Chicamba), culminando no ano hidrológico de 2024/25 com o pior registo pluviométrico dos últimos 43 anos”, acrescenta o relatório do banco central.

A falta de disponibilidade de energia a preços considerados acessíveis esteve também no centro de um diferendo que levou a fundição de alumínio Mozal, a maior indústria do país, a suspender a atividade desde 15 de março, afetando mais de 4.000 empregos.

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