
Luanda, 01 mai 2026 (Lusa) — Centenas de trabalhadores angolanos marcharam hoje, em Luanda, exigindo melhores condições salariais e laborais, com as centrais sindicais a dizerem que os trabalhadores angolanos vivem em situação de “mendicidade” e a pedirem polÃticas públicas laborais inclusivas.
As celebrações do 1.º de Maio, Dia Internacional do Trabalhador, foram marcadas por uma marcha, em Luanda, na qual centenas de trabalhadores do setor público e privado “exigiram” em unÃssono melhores condições de trabalho, remuneração justa e fim de “abusos” dos empregadores.
No manifesto conjunto, as centrais sindicais angolanas, nomeadamente, União Nacional dos Trabalhadores Angolanos — Confederação Sindical (UNTA-CS), Central Geral dos Sindicatos Independentes e Livres de Angola (CGSILA) e Força Sindical (FS), pediram igualmente “tratamento igualitário”.
Exortaram o Governo angolano a conceber polÃticas públicas laborais “inclusivas e exequÃveis”, pedindo que o diálogo social e a concertação tripartida “seja permanente e que traga resultados concretos nas questões de domÃnio laboral, social e de emprego seguro”.
“Pedimos também igualdade de tratamento dos trabalhadores nacionais relativamente aos expatriados quanto à remuneração e condições de trabalho justo”, afirmou a secretária-geral adjunta da UNTA-CS, Helena França, na leitura do manifesto.
A UNTA-CS, CGSILA e a FS defenderam ainda melhorias no funcionamento dos órgãos inspetivos “face à s inúmeras violações impunes dos empregadores à s normas de contratação e manutenção do emprego em condições de segurança”.
Proteção e saúde no trabalho, matérias ligadas à celebração e cessação de contrato de trabalho, bem como relativas a despedimentos massivos de trabalhadores angolanos constam ainda entre as exigências dos trabalhadores angolanos.
Para o secretário-geral da CGSILA, Francisco Jacinto, o trabalhador angolano está atualmente transformado num “pedinte”, dada a precariedade do trabalho e baixo salário que aufere, “desajustado” à atual realidade social e económica do paÃs.
“Hoje o trabalhador angolano se encontra numa situação de pedinte e isso abrange todos os setores da economia nacional. Na comunicação social também há problemas gritantes de salários precários, não atualizam os salários há mais de três anos e mantêm salários miseráveis”, disse aos jornalistas.
“Angola é um paÃs com recursos minerais suficientes, mas infelizmente a renda nacional não é distribuÃda equitativamente aos cidadãos”, afirmou o sindicalista.
O Presidente angolano, João Lourenço, destacou hoje o empenho dos trabalhadores angolanos para o desenvolvimento do paÃs e considerou que, apesar das dificuldades, o executivo tudo tem feito para melhorar as condições de vida.
João Lourenço, em mensagem alusiva ao Dia Internacional do Trabalhador, que hoje se assinala, referiu que, neste dia, se pretende que aos trabalhadores seja reconhecido o seu papel essencial no funcionamento das sociedades, porque são a base produtiva e o elo orgânico da estrutura social.
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