
Maputo, 28 bar 2026 (Lusa) – Um homem foi detido por emissão de cheque sem provisão, burla e falsificação de documentos, com prejuízos para o Estado de mais de 90 milhões de meticais (1,2 milhões de euros), anunciou hoje o serviço de investigação criminal moçambicano.
“Queremos confirmar a detenção deste cidadão moçambicano de cerca de 40 anos. Esta detenção, que se realizou no dia 25 do corrente mês de abril, trata-se de um cidadão reincidente em crimes de falsificação de documentos, burla e emissão de cheque sem provisão, mas também é indiciado nos crimes de associação criminosa”, disse em conferência de imprensa João Adriano, porta-voz do Serviço Nacional de Investigação Criminal (Sernic), da cidade de Maputo.
Segundo o responsável, o indiciado usava como ‘modus operandi’ a falsificação de extratos bancários e a falsificação de possíveis contratos com instituições públicas, de modo a usar esses documentos para se beneficiar de financiamento bancário em valores elevados.
“Estamos a falar neste momento de cerca de nove processos que estão a ocorrer na instrução na cidade de Maputo e, contabilizando, o prejuízo está acima de 90 milhões de meticais [1,1 milhões de euros]”, acrescentou.
Adriano explicou ainda que um dos processos envolvendo o homem lesou ao Estado cerca de 25 milhões de meticais (334,7 mil euros): “O indivíduo entrou em conivência com colaboradores de uma determinada instituição privada que tinha de pagar cerca de 25 milhões ao Estado em imposto, esse indivíduo conseguiu falsificar documentos que culminaram com o desvio desses 25 milhões em prejuízo do Estado”.
De acordo com o responsável, desde 2022, as autoridades policiais nacionais já emitiram cerca de três mandados de captura, incluindo dois mandados de busca e apreensão para o suposto criminoso, mas só agora é que foi capturado.
“Então estamos aqui diante do indivíduo que é procurado realmente já desde 2022 por seu envolvimento em casos desta natureza. Ele poderá ser responsabilizado criminalmente caso se prove efetivamente o seu envolvimento em todos esses casos”, avançou o porta-voz do Sernic.
João Adriano acrescentou ainda que o suspeito se associava a colaboradores de determinadas empresas com o objetivo de falsificar documentos, visando o desvio de valores que deveriam dar entrada nos cofres do Estado. Por essa razão, o Sernic considera tratar-se de um caso de associação criminosa, no qual alguns dos envolvidos encontram-se atualmente detidos a cumprir pena, enquanto outros aguardam decisão judicial em regime de prisão preventiva.
No cumprimento de mandados judiciais, o Serviço Nacional de Investigação Criminal moçambicano apreendeu diversos meios utilizados na atividade criminosa, incluindo equipamentos eletrónicos, cartões bancários, carimbos de empresas e documentação diversa.
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