Macron defende médicos estrangeiros e critica “visões simplistas” da imigração

Andorra-a-Velha, 27 abr 2026 (Lusa) — O Presidente francês defendeu hoje a integração de profissionais de fora da UE, sobretudo na saúde, sublinhando que França depende desses trabalhadores nos serviços públicos.

Em declarações à imprensa depois de chegar a Andorra-a-Velha, para uma visita oficial de dois dias, Emmanuel Macron apontou o exemplo de um hospital no sul de França onde lembrou que todos os médicos foram formados no estrangeiro e regularizados após aprovação em exames.

O chefe de Estado francês insistiu na necessidade de evitar abordagens “simplistas ou caricaturais” da imigração, defendendo uma estratégia pragmática assente na cooperação internacional.

Macron sublinhou ainda a importância de manter um diálogo “exigente, mas respeitoso” com países como a Argélia, considerando “uma loucura” a ideia de fomentar o confronto.

“Precisamos destas mulheres e homens que servem o nosso país”, explicou Macron, defendendo uma “visão positiva” da imigração e destacando o contributo dos profissionais estrangeiros para setores essenciais.

O Presidente francês criticou também o sistema de regularização de médicos formados fora da UE, conhecido como Pádua, classificando-o como “um desastre” e apontando entraves burocráticos que obrigam estes profissionais a repetir concursos públicos.

As declarações surgiram depois de críticas de Bruno Retailleau, líder do partido conservador Os Republicanos e potencial candidato presidencial em 2027, que acusou Macron de ignorar problemas ligados à imigração ilegal.

“O problema não são os médicos argelinos, mas as centenas de pessoas perigosas com ordens de deportação que não têm mais nada de útil a fazer em França”, afirmou Retailleau, defendendo uma política mais restritiva.

O dirigente conservador reiterou ainda críticas a processos de regularização em outros países europeus e prometeu reforçar os controlos fronteiriços caso vença as eleições presidenciais.

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