Hezbollah reafirma “recusa categórica” de negociações diretas com Israel

Beirute, 27 abr 2026 (Lusa) – O líder do grupo radical xiita Hezbollah, Naim Qassem, reiterou hoje que rejeita as negociações diretas entre Beirute e Israel, classificando-as como um “erro perigoso” que pode levar o Líbano a um “ciclo de instabilidade”.

“Recusamos categoricamente negociar diretamente com Israel”, disse Qassem num comunicado, sublinhando que é da responsabilidade do Governo libanês evitar um “erro perigoso que mergulhará” o país “num ciclo de instabilidade”.

As declarações do responsável do Hezbollah foram lidas no canal de televisão Al-Manar, com ligações ao movimento pró-Irão.

Israel e Líbano já realizaram duas rondas de negociações entre embaixadores, sob mediação norte-americana em Washington.

A 02 de março, o Líbano foi arrastado para o conflito regional desencadeado a 28 de fevereiro por uma ofensiva dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão, quando o Hezbollah efetuou um ataque com morteiros a Israel, que a partir de então bombardeou intensamente o sul do país, primeiro com ataques aéreos e depois com uma ofensiva terrestre, com artilharia e blindados.

Estas negociações resultaram, inicialmente, no anúncio de um cessar-fogo de dez dias por parte do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que entrou em vigor em 17 de abril e foi posteriormente prolongado por três semanas após a segunda ronda de discussões.

“Estas negociações e os seus resultados inexistentes não nos dizem minimamente respeito”, declarou Naim Qassem, acrescentando que o grupo xiita irá prosseguir com “a resistência para defender o Líbano” e que não recua “perante as ameaças israelitas”.

“Não entregaremos as nossas armas (…) e o inimigo israelita não permanecerá em nenhuma parte do nosso território ocupado”, prosseguiu.

As autoridades libanesas afirmam que o objetivo das negociações é pôr fim à guerra, garantir a retirada de Israel do sul do Líbano e permitir o regresso dos deslocados internos às respetivas casas, cujo número está estimado em mais de um milhão.

O cessar-fogo continua frágil, com Israel a retomar os seus ataques aéreos e ordens de retirada da população, particularmente no sul no Líbano, onde as forças israelitas continuam as operações para demolir várias localidades dentro da chamada “linha amarela”, estabelecida ao longo da fronteira para garantir a segurança dos israelitas, segundo o Governo de Telavive.

Israel “reserva-se o direito de tomar, a qualquer momento, todas as medidas necessárias em autodefesa contra ataques planeados, iminentes ou em curso”, segundo o texto do acordo de cessar-fogo publicado em 16 de abril pelo Departamento de Estado norte-americano, que especifica que a cessação das hostilidades “não impedirá o exercício deste direito”.

O Hezbollah rejeita esta parte do acordo e critica o facto de não ter sido submetido a votação no Governo libanês, onde o grupo tem representação. O movimento xiita continua a reivindicar a responsabilidade por ataques intermitentes contra posições israelitas em solo libanês e pelo lançamento de ‘rockets’ e drones em direção ao norte de Israel.

Antes das negociações mediadas pelos Estados Unidos, as primeiras deste tipo desde 1993, Israel afirmou não ter “desacordos sérios” com o Líbano, pedindo que o país “trabalhasse em conjunto” contra o Hezbollah.

Segundo dados recolhidos pela agência de notícias francesa AFP junto de fontes oficiais libanesas, os ataques israelitas mataram pelo menos 36 pessoas, incluindo 14 no domingo, desde o início da trégua.

No total, o conflito já provocou 2.509 mortos e fez 7.755 feridos do lado libanês desde 02 de março.

Dezasseis soldados israelitas foram mortos no Líbano desde 02 de março, incluindo um no domingo.

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