Organização denuncia desnutrição forçada de prisioneiros em Cuba

Madrid, 27 abr 2026 (Lusa) – A organização Prisoners Defenders denunciou hoje que os 90.000 prisioneiros em Cuba, segundo estimativas, estão expostos a “danos irreversíveis” devido à “desnutrição forçada”, causada pela escassez de rações alimentares que lhes são fornecidas.

De acordo com um relatório publicado pela organização não-governamental (ONG), sediada em Madrid, há “um padrão mais amplo e repetido de rações prisionais extremamente insuficientes, condições sanitárias degradantes, infestações de percevejos e ausência de cuidados médicos adequados”.

O documento baseia-se em fotografias, testemunhos diretos e material empírico recebido de diferentes prisões em Cuba.

Segundo a ONG, a dieta diária fornece aproximadamente 250-353 quilocalorias por dia, quando um adulto necessita aproximadamente de 2.553 quilocalorias diárias, pelo que a dieta prisional “cobre apenas entre 10-14% da necessidade energética estimada para um adulto sedentário”.

Isto, se mantido “durante meses ou anos”, pode levar a uma “desnutrição energética e proteica severa” que causa “perda de peso extrema, sarcopenia severa [perda de massa muscular e de força], fraqueza, intolerância ao frio, hipotensão, diminuição da capacidade de esforço e deterioração geral”.

A ONG recorda que, segundo o World Prison Brief, Cuba tem aproximadamente 90.000 pessoas privadas de liberdade (1% da população cubana), que, por isso, estão a ser sujeitas a estas dietas.

“Se as condições documentadas — fome, desnutrição severa, extrema insalubridade, falta de cuidados médicos e infestações — são representativas de um padrão mais amplo, estamos a falar de uma exposição massiva a condições que, em termos materiais, podem constituir tratamentos cruéis, desumanos ou degradantes”, lê-se no relatório, citado pela agência de notícias espanhola EFE.

Além disso, o relatório também documenta outros problemas, como a presença de percevejos em colchões e madeiras.

Por outro lado, a Prisoners Defenders aponta que 447 presos políticos apresentam “patologias graves causadas ou agravadas pelas condições de detenção, incluindo má nutrição, maus-tratos e falta de cuidados médicos”, e outros 47 presos políticos sofrem de “perturbações mentais graves sem tratamento”.

A organização reportou em meados de março que existem 1.250 prisioneiros politicamente motivados na ilha.

Além do embargo norte-americano em vigor desde 1962, a crise em Cuba agravou-se desde janeiro, quando a administração norte-americana de Donald Trump impôs restrições drásticas à importação de petróleo, uma forma de pressionar a ilha a realizar mudanças políticas e económicas.

O bloqueio petrolífero paralisou quase por completo a atividade económica, especialmente a estatal, e os serviços públicos, incluindo hospitais.

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