Brasil quer cooperar mais com Portugal e países africanos no combate ao tráfico de droga

Bruxelas, 24 abr 2026 (Lusa) — O Brasil defende uma maior cooperação com Portugal e União Europeia (UE), mas também com países africanos, no combate ao tráfico de droga, abrangendo “todos os aspetos”, desde a produção na América Latina até à chegada à Europa.

“A cooperação com Portugal é fundamental, […] vem de décadas e é uma cooperação muito positiva e eu acho que, […] além da excelente cooperação que a gente tem, […] é fundamental a cooperação entre as duas regiões”, afirmou o embaixador do Brasil junto da União Europeia, Pedro Miguel da Costa e Silva, em declarações à agência Lusa em Bruxelas.

Falando à margem de um evento sobre segurança marítima e cooperação contra o tráfico de droga entre a União e a América Latina e as Caraíbas, organizado pela Representação Permanente de Portugal junto da UE, o responsável defendeu colaboração “também com os Estados Unidos e os países da África”.

“Temos já cooperação em curso com Portugal e UE e o que estamos a fazer é a tentar negociar novos instrumentos de cooperação não só entre as polícias, mas também, por exemplo, entre os nossos ministérios de justiça porque isso passa muito também pela questão de processos, às vezes judiciais, e troca de informação sensível, que tem que contar com a autorização das nossas justiças”, elencou Pedro Miguel da Costa e Silva.

Para o Brasil, de acordo com embaixador, “é fundamental também a questão do fluxo de dinheiro”, sendo assim necessário “envolver todos no exercício de melhorar o processo de busca e partilha de informações”.

Nas declarações à Lusa, Pedro Miguel da Costa e Silva apontou que a cooperação com países africanos já é feita no âmbito da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).

“Além disso o Brasil tem, este ano, a presidência [da Zona de Paz e Cooperação do Atlântico Sul] e a ideia é aumentar a troca de informações, a cooperação, inclusive cooperação técnica”, destacou.

De acordo com o responsável brasileiro, “este é um problema que envolve desde a produção da droga em alguns países latino-americanos, à passagem da droga por outros países – o Brasil é um país de trânsito –, à chegada das drogas aqui e o consumo na Europa”.

É por isso, a seu ver, necessário “tratar de todos os aspetos da questão”.

Também em declarações à agência Lusa à margem do evento, a representante permanente de Portugal junto do Comité Político e de Segurança, Ana Paula Moreira, falou numa “preocupação comum dos dois lados do Atlântico” dado que “as ameaças na área da criminalidade organizada e do tráfico de drogas estão a aumentar”.

“A conclusão a que chegamos é que estes grupos de criminalidade organizada têm meios cada vez mais sofisticados para contornar os nossos meios tradicionais de resposta […] porque eles não têm regras nem limites e, portanto, estão sempre um passo à frente”, admitiu a embaixadora.

O tráfico de droga na União Europeia tem registado um crescimento significativo nos últimos anos, fortemente impulsionado pelas rotas provenientes da América Latina, sobretudo no caso da cocaína.

Segundo o Relatório Europeu sobre Drogas de 2024, a Europa tornou-se um dos principais destinos globais desta substância, sendo atualmente a segunda droga ilícita mais consumida no continente.

Em 2023, ano mais recente em relação ao qual há estatísticas completas, foram apreendidas mais de 419 toneladas de cocaína na Europa, um valor recorde que evidencia o aumento do fluxo transatlântico, ligado à elevada produção na América Latina e à crescente procura europeia.

Relatórios da Agência da União Europeia para a Cooperação Policial (Europol) destacam as novas estratégias usadas por redes criminosas, incluindo o uso de navios semissubmersíveis e transbordos em alto-mar.

 

ANE // ANP

Lusa/fim