Cabo Verde procura monitores e voluntários para proteger tartarugas marinhas

Mindelo, Cabo Verde, 24 abr 2026 (Lusa) — A Organização Não-Governamental (ONG) Biosfera está a procurar monitores e voluntários para proteger tartarugas marinhas nas ilhas de Santa Luzia e São Vicente, Cabo Verde, arquipélago que acolhe uma das maiores populações mundiais da espécie.

Para já decorre o recrutamento para contratação de monitores até 10 de maio e depois serão abertas inscrições para voluntários, explicou à Lusa a coordenadora Catelene Monteiro.

“Nós estamos à procura de pessoas maiores de idade, apaixonadas pela natureza” e com capacidade “para trabalhar num ambiente isolado, como a ilha de Santa Luzia”, a única ilha deserta de Cabo Verde — além da parte do projeto que decorre nas praias da ilha de São Vicente, onde fica a segunda cidade do país, Mindelo.

Para os monitores pede-se experiência prévia para acompanhar a época de desova, de junho a outubro, havendo sempre uma atualização da formação teórica e prática para os selecionados.

Após a formação, os monitores estarão habilitados a transmitir conhecimentos aos voluntários.

A ligação para inscrição está nas redes sociais da ONG.

O trabalho inclui a monitorização de praias, identificação de ninhos e rastros, a transladação de ninhos em risco, salvamento de tartarugas adultas e crias desorientadas no areal, bem como acompanhamento de estudos científicos.

“As noites, normalmente, são longas e frias, temos de estar em boa condição física”, descreve a coordenadora.

As candidaturas para monitores estão abertas, “tanto para quem está no país, como fora, mas damos bastante prioridade ao pessoal que está aqui em Cabo Verde, que já conhece a biodiversidade e o terreno”, acrescentou.

Ainda antes do final de maio será lançada a ligação para inscrição de voluntários, “tanto nacionais como internacionais”, que serão acompanhados no terreno pelos monitores, que já estarão formados. 

“Em Santa Luzia, estarão até sete monitores no terreno, oito em São Vicente”, acrescentou Catelene Monteiro.

“Fazemos patrulhas tanto diurnas como noturnas. Durante o amanhecer, caminhamos na praia, observamos os rastros, identificamos e georreferenciamos todos os ninhos e, por vezes, encontramos tartarugas que saíram [do mar] para desovarem, mas ficaram desorientadas e perderam-se”, descreve.

Nestes casos, há que “seguir todo o rastro, de subida e descida do areal, e quando encontramos a tartaruga temos de estar já equipados com baldes de água, para tentar hidratá-la e reorientá-la para o mar”.

A tarefa pode ser complicada porque, “às vezes, quando está muito longe, é necessário carregar a tartaruga e pode ser bastante pesada”.

Há ainda “a eclosão das tartaruguinhas e também encontramos várias perdidas”.

“Às vezes, por causa da iluminação artificial das praias, elas acabam por se desorientar” em direção à luz, durante a noite. 

Nas águas de Cabo Verde existem cinco espécies de tartarugas e a Biosfera faz o acompanhamento da tartaruga comum, acolhendo o arquipélago a terceira maior população, a nível mundial.

“A tartaruga é uma espécie que está aqui no nosso planeta desde há muito tempo. Há estudos que dizem que ela está aqui desde o tempo dos dinossauros”, mas a humanidade trouxe desafios à sobrevivência da espécie: “temos a caça furtiva, a apanha dos ovos, as redes de pesca”, além de turismo desorganizado e poluição marinha.

“Todos esses fatores fazem com que a tartaruga seja bastante vulnerável e haja um decréscimo da sua população. Com a conservação, podemos sensibilizar as pessoas em relação a esta problemática”, assinala Catelene Monteiro.

O pico de número de ninhos foi atingido em 2021: em Santa Luzia, a Biosfera registou um recorde de mais de 12 mil ninhos e em São Vicente foram cerca de quatro mil.

Estes são só uma parte do total da nidificação em Cabo Verde: as ilhas a leste (Boa Vista, Sal e Maio) acolhem mais de 50% do total de ninhos contabilizados no arquipélago.

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