
Lima, 24 abr 2026 (Lusa) — O presidente interino do Peru, José MarÃa Balcázar, nomeou Carlos Pareja RÃos como novo ministro dos Negócios Estrangeiros, substituindo Hugo De Zela, que se demitiu devido a divergências sobre a compra de caças norte-americanos.
Balcázar presidiu na quinta-feira à cerimónia de tomada de posse de Pareja RÃos, de 75 anos, no Palácio do Governo, em Lima, na qual também esteve presente o ministro da Defesa.
Amadeo Flores foi nomeado após a demissão do anterior ministro, Carlos DÃaz, que também se deveu à decisão de adiar a compra dos caças F-16 aos Estados Unidos, tomada por José MarÃa Balcázar.
Uma decisão que coloca o “paÃs em perigo e mina a sua credibilidade”, disse Hugo De Zela, ao apresentar a demissão, na quarta-feira.
José MarÃa Balcázar tinha defendido que o contrato para a compra dos caças F-16 deveria ser tratado pelo próximo governo, embora as negociações já tivessem chegado a um acordo final.
“O contrato foi assinado na segunda-feira, mas vários órgãos de comunicação social têm dito que não foi assinado; isso é uma mentira descarada”, disse De Zela, que afirmou ter tentado convencer Balcázar a mudar de ideias.
Após as demissões dos ministros dos Negócios Estrangeiros e da Defesa, o primeiro-ministro Luis Arroyo confirmou na quarta-feira que o Governo adquiriu uma frota de caças F-16 Block 70, fabricados nos Estados Unidos, para a Força Aérea Peruana.
Luis Arroyo afirmou que todos os compromissos financeiros assumidos de acordo com o cronograma acordado foram cumpridos.
“Esta decisão é de natureza estratégica e é da responsabilidade do poder Executivo cumprir e fazer cumprir os acordos assinados”, declarou Arroyo, horas depois de Balcázar ter reiterado a posição de recomendar que o próximo governo, que assumirá o poder no final de julho, decida se vai avançar com a aquisição.
A decisão de Balcázar foi anunciada na passada sexta-feira, numa entrevista de rádio.
Em resposta, o embaixador dos EUA, Bernie Navarro, ameaçou com represálias contra o Peru caso o paÃs não cumpra o acordo preliminar alegadamente assinado em segredo com o Governo do ex-presidente interino José JerÃ, destituÃdo em fevereiro.
A compra está avaliada em 462 milhões de dólares (395 milhões de euros).
As demissões acontecem numa altura em que o Peru também ainda espera para saber quais os dois candidatos que irão avançar para a segunda volta das eleições presidenciais, 11 dias depois da primeira ronda.
Os resultados definitivos das eleições só deverão ser conhecidos em meados de maio.
As eleições ficaram marcadas por problemas logÃsticos na distribuição de urnas e boletins, o que atrasou a abertura de várias mesas de voto, especialmente em Lima.
O Ministério Público do Peru requereu a prisão preventiva do antigo chefe do órgão eleitoral, Piero Corvetto, por irregularidades ocorridas durante o escrutÃnio.
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