
Pequim, 21 abr 2026 (Lusa) — Moçambique aderiu hoje à “comunidade de futuro partilhado na nova era” da China, que visa construir uma nova estrutura de relações internacionais e “melhorar” a governação global, durante a visita do Presidente moçambicano, Daniel Chapo, a Pequim.
Num comunicado conjunto divulgado no final da visita de Estado, iniciada em 16 de abril, os dois países afirmaram que a decisão reflete o aprofundamento da cooperação política, económica e estratégica desde o estabelecimento de uma parceria estratégica global, em 2016.
Pequim e Maputo consideram que a amizade entre os dois países “resistiu às mudanças internacionais” desde o estabelecimento de relações diplomáticas, em 1975, e se tornou “um exemplo da amizade sino-africana e da cooperação Sul-Sul”.
A China reiterou apoio à estratégia de desenvolvimento apresentada por Chapo para 2025-2044 e ao plano moçambicano para 2025-2029, centrados na redução da pobreza, crescimento inclusivo e desenvolvimento estrutural, comprometendo-se a continuar a apoiar a industrialização de Moçambique.
Os dois lados concordaram em reforçar a articulação entre as estratégias nacionais de desenvolvimento e aprofundar a cooperação no âmbito da iniciativa “Uma Faixa, Uma Rota”.
Lançada em 2013 pelo Presidente chinês, Xi Jinping, poucos meses após chegar ao poder, a iniciativa é a pedra angular da política externa chinesa e visa aprofundar a influência económica de Pequim junto dos países em desenvolvimento, através da construção de estradas, linhas ferroviárias, centrais elétricas ou portos.
Atualmente, 150 países são parceiros da iniciativa, que transformou a China no maior credor bilateral do mundo.
As partes anunciaram a intenção de assinar um acordo-quadro de parceria económica para o desenvolvimento comum, destinado a garantir bases “de longo prazo, estáveis e previsíveis” para o comércio e o investimento bilaterais.
Pequim encorajou mais empresas chinesas a investir em Moçambique, para apoiar a modernização das cadeias industriais e promover um desenvolvimento autónomo e sustentável.
Entre os setores prioritários de cooperação, o comunicado destaca energia, minerais, agricultura, infraestruturas, economia digital, inteligência artificial e tecnologias móveis.
Na área energética e mineira, os dois países defenderam o aprofundamento das parcerias existentes, apontando ainda novas áreas de crescimento, como exploração de recursos, formação de recursos humanos e cooperação geológica, prevendo um projeto de prospeção no norte de Moçambique.
Na agricultura, os dois lados comprometeram-se a reforçar a cooperação ao longo de toda a cadeia de valor, desde a produção à logística, incluindo mecanização, irrigação e formação técnica.
A China destacou ainda a aplicação de tarifas zero aos países africanos com relações diplomáticas com Pequim e manifestou expectativa de que Moçambique aproveite essa política para aumentar as exportações, incluindo um “canal verde” para produtos agrícolas.
No plano político, Maputo reiterou “apoio incondicional” ao princípio de “uma só China”, reconhecendo Taiwan como parte inseparável do território chinês, segundo o comunicado.
No domínio da segurança, os dois países defenderam o respeito pela soberania e integridade territorial, o multilateralismo e a resolução pacífica de disputas e Pequim manifestou apoio aos esforços de Moçambique no combate ao terrorismo e comprometeu-se a reforçar a cooperação entre forças armadas e órgãos de segurança, incluindo formação, tecnologia e exercícios conjuntos.
O texto prevê ainda cooperação em gestão de emergências e prevenção de desastres, abrangendo monitorização, alerta precoce e capacidades de resposta.
A China prometeu continuar a conceder bolsas de estudo e apoiar o sistema de saúde moçambicano, incluindo o envio de equipas médicas e o desenvolvimento de projetos hospitalares.
Daniel Chapo classificou a deslocação como um sucesso e convidou Xi a visitar Moçambique.
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