Hamas retoma contactos com mediadores no Cairo

Cairo, 20 abr 2026 (Lusa) — Uma delegação do Hamas regressou ao Cairo para retomar conversações com os mediadores sobre o início das negociações da segunda fase do acordo de trégua em Gaza, anunciou hoje uma fonte do grupo extremista palestiniano.

A delegação vai transmitir aos mediadores “uma resposta positiva” a uma proposta do Egito para iniciar as conversações com Israel sobre a segunda fase do acordo de trégua, disse a mesma fonte à agência de notícias espanhola EFE.

A fonte, que falou na condição de não ser identificada, disse que a delegação é liderada pelo chefe da equipa negociadora do Hamas, Jalil al-Haya.

Integra também Zaher Jabarin e Ghazi Hamad, membros do gabinete político e órgão executivo do Hamas.

O acordo de cessar-fogo foi alcançado em outubro de 2025, com mediação dos Estados Unidos, após dois anos de uma ofensiva israelita desencadeada pelos ataques de 07 de outubro de 2023 em Israel, liderados pelo Hamas.

Apesar do envio da delegação ao Cairo, o Hamas insiste em não assinar ainda qualquer documento sobre o desarmamento do grupo, previsto no acordo de outubro, antes de Israel cumprir as obrigações estipuladas na primeira fase, disse a fonte.

“A proposta dos mediadores estipula o início imediato da implementação da primeira fase e o começo das conversações sobre a segunda, desde que nenhum acordo alcançado nesta fase seja posto em marcha antes da plena aplicação da primeira etapa”, afirmou.

O Hamas exige também que Israel permita a entrada em Gaza “de forma rápida do comité de Administração da Faixa para que comece as tarefas que lhe foram atribuídas e acordadas”, referiu.

O grupo pede ainda “garantias reais e claras dentro de um calendário acordado quanto à obrigação de Israel de cumprir os deveres na primeira e segunda fase, caso se chegue a um acordo nas negociações que serão realizadas a esse respeito”, acrescentou.

A delegação do grupo islamista palestiniano reuniu-se em 11 de abril, no Cairo, com Nikolay Mladenov, o alto representante para Gaza do Conselho de Paz impulsionado pelo Presidente norte-americano, Donald Trump, e com altos quadros do Governo e dos serviços de informações egípcios.

Nesses encontros, a organização insistiu que Israel cumpra integralmente a primeira fase do acordo, que inclui o cessar das hostilidades.

Exigiu também a entrada de ajuda suficiente em Gaza e o recuo parcial das tropas israelitas na Faixa, antes de abordar qualquer discussão sobre fases posteriores, em particular o desarmamento.

Israel e o Hamas assinaram em outubro de 2025 a primeira fase do acordo de paz para Gaza impulsionado por Trump, que contemplava o fim da ofensiva israelita, a libertação de reféns israelitas nas mãos do grupo islamita e o recuo das tropas.

A segunda fase prevê a retirada total das forças de Israel, o desarmamento das milícias palestinianas, a reconstrução de Gaza e a criação de um governo de transição.

A guerra em Gaza causou mais de 72 mil mortos, segundo as autoridades de Saúde do enclave palestiniano governado pelo Hamas desde 2007.

A Faixa de Gaza ficou praticamente destruída.

A ofensiva militar israelita serviu de retaliação pela morte de cerca de 1.200 israelitas durante os ataques de 07 de outubro.

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