Alemanha e Brasil querem duplicar volume do comércio entre os dois países

Hanover, Alemanha, 20 abr 2026 (Lusa) — A Alemanha e o Brasil querem duplicar nos próximos anos o volume comercial entre os dois países, disse hoje o chanceler alemão, Friedrich Merz, que defendeu especialmente a cooperação na transformação digital e na 4.ª revolução industrial.

“O Brasil é, no nosso mundo cada vez mais complexo, um parceiro chave com o qual queremos aprofundar as relações existentes e estabelecer novas parcerias”, afirmou Merz na inauguração das 42.ª Jornadas Económicas Brasil-Alemanha organizadas pela Federação da Indústria Alemã na Feira industrial de Hanover, na qual o país sul-americano é a nação convidada.

O chanceler alemão destacou que este encontro ocorre num momento em que, juntamente com todos os desafios geopolíticos e geoeconómicos, também existem “aberturas e avanços”, como o acordo de livre comércio entre a União Europeia (UE) e o Mercosul, que entrará em vigor provisoriamente a partir do próximo dia 01 de maio.

“Este acordo é um exemplo especialmente bom e encorajador”, afirmou Merz, que sublinhou que a Alemanha partilha com o Brasil “o interesse fundamental num ordenamento político em que possamos confiar nos acordos, em que possamos confiar nos contratos, em que possamos contribuir juntos para a resolução de problemas globais e em que os conflitos se resolvam apenas por meios pacíficos”.

Alemanha e Brasil, as maiores economias da Europa e da América Latina, respetivamente, representam mais de 300 milhões de consumidores, e os dois países “têm um grande potencial económico conjunto”, sublinhou Merz.

O chanceler explicou ainda que, mesmo sem o acordo de livre comércio com o Mercosul, o volume do comércio bilateral em 2024 já ultrapassava os 20.000 milhões de euros.

“Mas (…) para o tamanho destas duas economias, isto é claramente insuficiente”, enfatizou o chanceler afirmando ser seu objetivo “fortalecer este volume com o acordo de livre comércio, aumentá-lo significativamente” e ambicionar “duplicar este volume nos próximos anos”.

O chanceler assinalou que as relações económicas entre os dois países remontam a 1837 quando Alfred Krupp recebeu uma encomenda do Brasil para dois cilindros para a cunhagem de moedas.

Hoje, cerca de 1.300 empresas com capital alemão, entre elas Siemens, Bayer, Volkswagen, BASF ou Mercedes Benz, operam no Brasil e geram 10% do valor acrescentado industrial do país.

Para a Alemanha, o Brasil é também um mercado de vendas importante, especialmente para maquinaria, produtos químicos e veículos, e para o Brasil, a Alemanha é por sua vez um mercado importante para matérias-primas e produtos agrícolas, salientou Merz.

Para o futuro, o chanceler vê especialmente três âmbitos de cooperação: a transformação digital e a indústria 4.0; os metais raros e matérias-primas; e, as energias renováveis.

Merz destacou o atrativo do mercado brasileiro para empresas alemãs em automação, digitalização e fabrico inteligente, e o facto de que “o Brasil tem, segundo estimativas, as segundas maiores reservas” de terras raras e matérias-primas do mundo.

“A Alemanha está disposta a apoiar o Brasil com conhecimento tecnológico para expandir estas relações”, indicou.

Merz também sublinhou o “importante papel pioneiro” do Brasil em energias renováveis, incluindo combustíveis sintéticos que permitem continuar a utilizar motores de combustão, o que é uma contribuição essencial para a proteção do clima.

Na mesma ocasião, o Presidente brasileiro, Lula da Silva, que se encontra no segundo e último dia da sua visita à Alemanha, destacou hoje o bom andamento económico do Brasil, com um crescimento superior a 3 % do PIB em média nos últimos três anos, apesar do contexto marcado por múltiplas crises.

O Presidente do Brasil está na Europa desde sexta-feira numa deslocação que começou em Espanha e que termina hoje em Portugal, onde será recebido pelo Presidente da República, António José Seguro.

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