
Sofia, 19 abr 2026 (Lusa) – O antigo presidente búlgaro Rumen Radev, um antigo general crítico das elites políticas e com posições próximas da Rússia e admirador do ultranacionalista húngaro Viktor Orbán, venceu hoje as eleições legislativas na Bulgária.
Todas as sondagens à saída das urnas citadas pela agência espanhola de notícias, a EFE, apontam-no como claro vencedor, com até 39% dos votos e uma diferença de mais de 20 pontos sobre a segunda formação, o partido conservador Cidadãos para o Desenvolvimento Europeu da Bulgária (GERB), liderado pelo três vezes primeiro-ministro Boiko Borisov.
Radev, de 62 anos, chegava a estas eleições antecipadas como o claro favorito, depois de ter renunciado em janeiro passado ao cargo de presidente da Bulgária, um ano antes de concluir o seu segundo e último mandato.
A Bulgária realizou hoje as suas oitavas eleições legislativas desde 2021, num clima de desânimo da população que impulsionou o ex-militar, favorecido pela rejeição a uma classe política vista como corrupta e pela frustração com a falta de melhorias no nível de vida no país mais pobre da União Europeia (UE).
A sua renúncia ao cargo de chefe de Estado para concorrer às eleições, segundo explicou, respondeu à necessidade de “ouvir os cidadãos” num momento de profunda crise política, marcado por protestos contra a corrupção e a instabilidade institucional.
Antigo comandante-chefe das Forças Aéreas, Radev iniciou a sua carreira militar em 1987, ainda sob o regime comunista, e consolidou-se como um dos militares mais destacados do país.
O seu confronto com os políticos tradicionais granjeou-lhe apoio popular, especialmente ao apoiar vários protestos de cidadãos, entre os quais a mobilização contra a corrupção e o aumento dos preços que levou, em dezembro passado, à queda do Governo de coligação liderado pelo conservador Rosen Zhelyazkov.
Agora, com uma mensagem nacionalista centrada na regeneração do Estado, na segurança nacional e na prestação de contas, Radev conseguiu capitalizar o descontentamento dos cidadãos.
O seu objetivo declarado é «transformar a Bulgária», embora os seus críticos alertem que o seu estilo personalista e as suas abordagens possam deteriorar a democracia.
Depois de votar, assegurou que vai procurar relações “práticas e de respeito mútuo” com Moscovo e voltou a sublinhar que era necessária uma cooperação entre a UE e a Rússia.
Em matéria de política externa, Radev defende que é possível combinar a adesão à União Europeia e à OTAN com uma postura crítica em relação às sanções contra a Rússia.
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