
Maia, Porto, 19 abr 2026 (Lusa) – O Presidente da República de Cabo Verde, José Maria Neves, alertou hoje na Maia (distrito do Porto) para discriminações e restrições à mobilidade da comunidade cabo-verdiana emigrada noutros países, no arranque da V Presidência na Diáspora, em Portugal.
“Há, neste momento, mais restrições à mobilidade. E há mais discriminações às comunidades emigradas. Em todo o mundo, sobretudo nos países mais desenvolvidos. Temos de ter consciência disso”, disse hoje num encontro com a comunidade cabo-verdiana da região do Porto, que decorreu no Auditório Principal da Universidade da Maia.
Para José Maria Neves, é importante os cabo-verdianos estarem “conscientes desse facto”, sendo igualmente necessário que se faça “tudo para conhecer os desafios e defender os interesses dos cabo-verdianos espalhados pelo mundo”.
Dando como exemplo os Estados Unidos, em que “os vistos para turismo e negócios estão sujeitos a uma caução que pode ir até aos 15 mil dólares”, o chefe do Estado apontou que “na Europa também há muitas restrições à mobilidade”.
“É claro que nós temos conversado com vários governos, mesmo com o governo dos Estados Unidos é preciso manter o diálogo, as pontes, para mostrar que a comunidade cabo-verdiana é uma comunidade que não causa problemas, é uma comunidade trabalhadora, é uma comunidade que se integra bem e que tem dado um grande contributo para o desenvolvimento dos países de acolhimento”, apontou.
José Maria Neves considerou ainda “importante a participação cívica e a participação política nos países de acolhimento”.
Numa sessão em que também apelou à participação nas eleições legislativas de 17 de maio e assinalou o aumento do custo de vida para as comunidades emigrantes, vários elementos do público colocaram questões ao Presidente da República, sobretudo jovens estudantes preocupados não só com as questões de discriminação, mas também com o valor das bolsas de estudo.
Vasco Costa, estudante de Engenharia, mostrou-se preocupado com “o aumento da xenofobia, do racismo e de inúmeras situações em que os estudantes têm-se sujeitado a inúmeras humilhações” em Portugal, nomeadamente no processo de regularização dos seus processos, além das questões do custo de vida.
“Sabemos que em vários países está a crescer a xenofobia, o racismo, etc. Temos é de continuar a colocar as nossas questões a todos os partidos políticos, a todos os partidos políticos nos países de acolhimento, aos governos, às autoridades municipais, para irmos protegendo e ir propondo acordos aos diferentes países para irmos protegendo os cabo-verdianos que estão em muitos países”, respondeu José Maria Neves.
O Presidente de Cabo Verde comprometeu-se ainda a “levar essa questão das bolsas, do valor das bolsas, para colocar ao Governo, após as eleições, qualquer que seja o Governo” formado após as legislativas de 17 de maio.
José Maria Neves iniciou hoje na Maia a V Presidência na Diáspora, sobretudo no Norte de Portugal, e segunda-feira será recebido pelo Presidente da Câmara do Porto, Pedro Duarte, nos Paços do Concelho, indo também a Lisboa ser recebido pelo Presidente da República Portuguesa, António José Seguro, na sexta-feira.
“Entre os dias 19 [hoje] e 26 de abril [domingo], José Maria Neves cumprirá uma intensa agenda nos municípios do Porto, Guimarães, Braga e Barcelos, além de deslocações a Tondela, no distrito de Viseu, e a Lisboa, em áreas estratégicas como a Saúde, o Ensino Superior e a Inovação, bem como a cooperação descentralizada”, pode ler-se numa nota de imprensa no ‘site’ da Presidência de Cabo Verde.
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