
Cisjordânia, 19 abr 206 (Lusa) – Israel começou hoje a realojar o colonato de Sa-Nur, na Cisjordânia ocupada, que tinha sido evacuado em 2005, com um ministro a reiterar a sua oposição à criação de um Estado palestiniano.
O colonato tinha sido evacuado no âmbito do plano de “desligamento” de Israel, que previa a retirada das tropas e colonos israelitas da Faixa de Gaza e de quatro colonatos na Cisjordânia, território palestiniano ocupado por Israel desde 1967.
“Estamos a celebrar uma rectificação histórica da expulsão criminosa da Samaria do Norte”, disse o ministro das Finanças, Bezalel Smotrich, usando o nome que os israelitas dão ao norte da Cisjordânia.
“Estamos a enterrar a ideia de um Estado palestiniano e a regressar ao colonato de Sa-Nur”, acrescentou o político de extrema-direita, ele próprio um colono, que faz parte da coligação do primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu.
Para estabelecer um “cinto de segurança” para Israel, apelou ainda ao restabelecimento dos colonatos na Faixa de Gaza, palco de uma guerra devastadora entre o exército israelita e o movimento islâmico Hamas entre outubro de 2023 e outubro de 2025.
O governo israelita, considerado um dos mais à direita da história do país, anuncia regularmente planos para criar ou expandir colonatos judaicos na Cisjordânia. Recentemente, aprovou 126 unidades habitacionais só em Sa-Nur.
Na cerimónia de hoje, o Smotrich esteve acompanhado por outros ministros e membros do parlamento.
Imagens da AFP mostram fileiras de casas pré-fabricadas brancas numa encosta verdejante.
De acordo com os meios de comunicação israelitas, 16 famílias mudaram-se para lá nos últimos dias, incluindo a de Yossi Dagan, presidente do Conselho de Assentamentos do Noroeste da Cisjordânia.
“Estamos a fazer história hoje na Samaria”, disse após cortar a fita para inaugurar o colonato.
“Juramos: Sa-Nur (…), chega de retiradas. Voltámos para ficar”, acrescentou.
Dagan estava entre os colonos que foram evacuados de Sa-Nur em 2005.
A atividade dos colonatos israelitas é regularmente denunciada pela ONU como ilegal ao abrigo do direito internacional e como um dos principais obstáculos a uma paz duradoura entre israelitas e palestinianos, uma vez que impede a criação de um Estado palestiniano viável.
Cerca de 500 mil israelitas vivem em colonatos na Cisjordânia, no meio de três milhões de palestinianos. O estabelecimento de mais de 100 colonatos foi aprovado desde que o governo de Netanyahu chegou ao poder em 2022.
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