
Madrid, 18 abr 2026 (Lusa) — A lÃder da oposição venezuelana, MarÃa Corina Machado, criticou hoje o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, e lÃderes progressistas latino-americanos, ao mesmo tempo que elogiou o Presidente norte-americano, Donald Trump, e confirmou estar a coordenar com Washington o seu regresso à Venezuela.
Em conferência de imprensa em Madrid, Machado afirmou que os acontecimentos da Cimeira da Democracia, realizada em Barcelona, demonstraram que, nesta altura, um encontro com Sánchez “não era aconselhável”.
A dirigente reagia a declarações de vários lÃderes presentes no fórum, entre os quais o Presidente colombiano, Gustavo Petro, que alertou para um “grande receio” entre os venezuelanos face a um eventual regresso da opositora, apontando riscos de “vingança polÃtica”.
Também o Presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, e Sánchez defenderam, em Barcelona, a não interferência externa na polÃtica venezuelana.
Machado sublinhou que a sua presença em Espanha, coincidindo com o encontro progressista, “não foi intencional, mas antes providencial”, e destacou reuniões com lÃderes conservadores espanhóis, como Alberto Núñez Feijóo e Santiago Abascal, sem contactos com o Governo socialista.
A opositora adotou um tom distinto ao referir-se a Trump, considerando que o Presidente norte-americano foi o único lÃder mundial que “arriscou a vida dos cidadãos do seu paÃs pela liberdade da Venezuela”.
Machado agradeceu a atuação dos Estados Unidos, numa referência à operação militar que levou à captura do ex-Presidente venezuelano Nicolás Maduro, em janeiro.
A lÃder venezuelana confirmou ainda que está a discutir com Washington o seu regresso ao paÃs, admitindo riscos, mas garantindo que “as ameaças não a demoverão”.
“O nosso dever é estar na Venezuela, a apoiar os venezuelanos”, afirmou Corina Machado.
Sobre a atual Presidente venezuelana, Delcy RodrÃguez, Machado acusou-a de representar “o caos, a violência e o terror”, contrapondo com o seu movimento, que disse pretender uma transição pacÃfica.
A opositora venezuelana defendeu que apenas eleições “livres e limpas” podem garantir a estabilidade e uma “transição ordenada” para a democracia.
Machado apelou ainda ao regresso dos venezuelanos emigrados, assegurando que o paÃs “será livre” e que a realização de eleições é a única via para esse objetivo.
Até ao momento, as autoridades venezuelanas têm relegado a questão eleitoral para segundo plano, privilegiando a agenda económica, tendo o presidente da Assembleia Nacional, Jorge RodrÃguez, admitido em março que a marcação de eleições não era “urgente”.
A conferência de imprensa em Madrid prolongou-se por cerca de duas horas e ficou marcada por momentos fora do protocolo, incluindo o abraço à opositora Catalina Ramos, recentemente libertada, e a intervenção espontânea de uma jornalista cubana.
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