Tavares acusa direita de querer apressar entrega da reforma laboral antes de”ricochete”

Lisboa, 18 abr 2026 (Lusa) – O porta-voz do Livre acusou hoje uma parte da direita de estar “com o rei na barriga” e outra de querer apressar a aprovação de várias propostas, incluindo o pacote laboral, antes de um “ricochete” na opinião pública.

“Eu creio que a direita, neste momento, alguma está com o rei na barriga, com a ilusão de que pode fazer tudo. Outra percebe que o tempo até que haja um ricochete da opinião pública em relação às atitudes da direita dos últimos tempos é curto e, portanto, tem que avançar com o máximo das suas propostas antes que percam definitivamente a opinião pública”, defendeu Rui Tavares.

Em declarações à agência Lusa, à margem de uma palestra sobre “A Economia do Bem-estar”, Tavares foi interrogado sobre a adesão à manifestação da CGTP contra o pacote laboral realizada na sexta-feira.

Na opinião do porta-voz do Livre, que congratulou a central sindical pela adesão, as sondagens já começam a refletir insatisfação contra a direita “e, no próximo ano, vamos vê-las a refletir isso cada vez mais”.

Tavares acusou a direita, maioritária no parlamento, de estar “distante do sentido social” e acusou o Governo e os partidos que o apoiam de “viver no passado”, considerando que o resultado eleitoral das últimas legislativas lhes permite agir sobre temas que “não puseram à discussão durante as próprias eleições”.

“E vivem num passado em relação às próprias relações de trabalho e à economia. Estão a projetar Portugal para o passado, para um país de baixos salários e baixa produtividade, longas horas de trabalho”, lamentou, salientando que “as sociedades mais produtivas e prósperas” estão a avançar no sentido oposto.

Tavares antecipou duas visões “em confronto” na Assembleia da República em breve e garantiu que o Livre “vai apresentar a sua visão do que seria uma economia orientada para a prosperidade nacional e para a qualidade de vida individual e, evidentemente, vai opor-se a um pacote laboral que é o contrário disto”.

Momentos antes, na Livraria Castro e Silva, em Lisboa, Rui Tavares participou numa palestra intitulada “Economia de Futuros: A Economia do Bem-Estar” com Jamie Kendrick, assessor político dos Verdes Europeus, e a deputada do Livre Patrícia Gonçalves.

Durante o debate, foi defendida a ideia de que o atual modelo económico não está a gerar qualidade de vida para o indivíduo ou para a sociedade, criando cidadãos esgotados e em burnout. Jamie Kendrick referiu, por exemplo, que apesar de a crise na habitação ser transversal a vários países da europa, Lisboa “é o epicentro dessa crise”.

Rui Tavares disse que o Livre é muitas vezes acusado de “não querer trabalhar” por outras forças políticas, por defender a semana laboral de quatro dias, mas insistiu que é nesse sentido que se deve caminhar. Para argumentar a importância do tema, o porta-voz do Livre relembrou que entre 1981 e 1983 já existiu um Minsitério da Qualidade de Vida, liderado por Gonçalo Ribeiro Telles.

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