
Brasília, 18 abr 2026 (Lusa) — O diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) do Brasil defendeu, em entrevista à Lusa, que o aumento de 32% do etanol na gasolina evitará, ainda mais, a dependência da importação do combustível.
Ainda na semana passada, o governo brasileiro anunciou que até o primeiro semestre deste ano irá aumentar a percentagem de etanol na mistura obrigatória com a gasolina, passando dos atuais 30% para 32%.
A alteração ocorre no contexto da escalada dos preços do barril do petróleo a nível mundial, devido aos efeitos da guerra no Médio Oriente.
Atualmente, o Brasil importa cerca de 15% da gasolina que consome e, após o conflito, o preço internacional do combustível subiu 65%, segundo dados da ANP.
“Esses 30% de etanol na gasolina ajuda-nos bastante a diminuir, a evitar a dependência de produto importado. E já está encaminhado para o aumento dessa mistura para 32%, chegando no número próximo de 1/3 do nosso volume de gasolina”, sublinhou Artur Watt.
Para o diretor-geral da ANP, os biocombustíveis funcionam como um “colchão de proteção” de oscilações de preços, ao diminuir a necessidade do Brasil de importação de gasolina e gasóleo.
Em 2025, o etanol na gasolina subiu de 27% para 30% e o biodiesel no gasóleo de 14% para 15%, resultado dos avanços da implementação da lei do “Combustível do Futuro”, de 2024, que amplia gradualmente a mistura de biocombustíveis.
No caso específico do etanol, Artur Watt lembrou que o insumo funciona como concorrente direto da gasolina devido à frota diversificada de carros no Brasil, o que permite que os consumidores tenham opções de escolhas nos postos de abastecimento.
No caso do biodiesel, classificou como “essencial”, uma vez que o Brasil ainda importa de 25 a 30% de gasóleo.
“Mesmo com esses 15% [de biodiesel na mistura], a gente ainda importa de 25 a 30% do gasóleo consumido do país. Então, se não tivéssemos essa mistura, estaríamos muito mais dependentes da importação do gasóleo”, sublinhou.
Especialistas ouvidos pela Lusa destacaram que, em relação à adaptação para os veículos, o setor de biodiesel enfrenta desafios maiores que o do etanol, já que motores a gasóleo exigem testes rigorosos, o que leva a agência reguladora a adotar uma postura cautelosa quanto ao aumento da mistura.
Artur Watt frisou que o aumento da mistura do biocombustível não é uma decisão exclusiva da ANP, mas sim do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), instância que envolve vários órgãos do governo federal.
“A ANP ajuda nos estudos e nas avaliações técnicas. E esses aumentos [de mistura] obviamente requerem alguma cautela, inclusive de capacidade de produção nacional”, destacou, ao elencar que, no caso do etanol, “não existem maiores problemas” no aumento da mistura, uma vez que o resultado das pesquisas são positivos.
O desafio, observou, continua a ser o biodiesel, cujos estudos até 17% na mistura continuam em andamento.
O diretor-geral da agência reguladora reconhece que há desafios na cadeia logística do biodiesel no país, uma vez que esse biocombustível é menos estável que derivados do petróleo, o que gera preocupação sobre condições de armazenamento e tempo de circulação das reservas.
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