
Nova Iorque, 17 abr 2026 (Lusa) – O responsável para os assuntos humanitários das Nações Unidas alertou hoje que o Sudão do Sul caminha para a “fome generalizada” e um “colapso”, com a intensificação dos combates e diminuição da missão de paz da ONU.
“Durante a minha visita ao Sudão do Sul, há algumas semanas, ouvi repetidamente os sentimentos de desespero e abandono” entre a população, disse Tom Fletcher ao Conselho de Segurança.
“E com razão. O país mais jovem do mundo está num ponto de viragem perigoso. Conflitos mais intensos, aumento das deslocações, aumento da fome, aumento de doenças, aumento dos ataques a trabalhadores humanitários. Diminuição do financiamento”, descreveu.
Na mensagem dirigida ao Conselho de Segurança pediu medidas imediatas para “impedir que o Sudão do Sul caminhe para uma fome generalizada e um colapso”.
O país, a mais jovem nação do mundo, tem sido assolado por uma série de conflitos mortais desde a sua independência em 2011. Nas últimas semanas, os confrontos intensificaram-se entre as forças governamentais leais ao Presidente, Salva Kiir, e as milícias da oposição leais a Riek Machar, o vice-Presidente que foi afastado e que se encontra em prisão domiciliária há um ano.
E “os civis continuam a pagar o preço” pela escalada dos combates, denunciou a nova responsável da missão da ONU no país (UNMISS, na sigla em inglês).
Ao mesmo tempo, a UNMISS teve de reduzir a capacidade operacional em “25 a 30%” nos últimos meses, observou Anita Kiki Gbeho.
É o resultado da crise orçamental que afeta todas as missões da ONU, principalmente devido aos atrasos nos pagamentos dos EUA. Uma vez que o Conselho de Segurança deverá decidir até ao final do mês sobre a renovação do mandato da UNMISS, alertou: “É importante reconhecer o dilema que enfrentamos. A escala e a urgência das necessidades no terreno ainda não correspondem ao compromisso e ao investimento contínuos necessários para concretizar a ambição de um caminho duradouro para a paz”.
A representante norte-americana Jennifer Locetta também se dirigiu ao Conselho de Segurança, informando que os Estados Unidos desejam um “mandato reduzido” com “prioridades realistas e alcançáveis”.
Mas não deixou de criticar diretamente o Presidente sudanês, afirmando que as suas “ações estão a levar o Sudão do Sul para outra guerra civil”.
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