Ministra moçambicana defende reforço da produção interna para reduzir pressão cambial

Redação, 17 abr 2026 (Lusa) — A ministra das Finanças moçambicana, Carla Loveira, defendeu, nos Estados Unidos, o reforço da produção interna para reduzir a pressão sobre importações e volume de divisas, num contexto de medidas para garantir combustível e estabilidade financeira.

“É criar capacidade de produção suficiente para que possa reduzir a pressão dos países, sobre as importações, sobre a necessidade de moeda estrangeira para financiar fatura de importação. Portanto, este é um dos aspetos que temos que pensar”, disse Carla Loveira, citada hoje pela comunicação social, durante as reuniões de primavera do Fundo Monetário Internacional e do Banco Mundial, em Washington.

Segundo a ministra, o Governo moçambicano está a realizar uma análise conjunta envolvendo o banco central, bancos comerciais e operadores do setor energético, com vista a assegurar disponibilidade de divisas para responder às necessidades de importação de combustíveis.

“Moçambique também está a fazer uma análise detalhada, tanto o banco central, com os bancos comerciais, com as gasolineiras, por forma a prover capacidade de divisas suficientes para responder àquilo que são as necessidades, de garantias, e assim minimizar (…) o pagamento das faturas do combustível”, afirmou.

Carla Loveira alertou, no entanto, para a necessidade de acautelar os impactos sociais e económicos das medidas em análise, sobretudo perante eventuais pressões sobre combustíveis e moeda estrangeira, com efeitos diretos nas famílias e consumidores.

A governante sublinhou ainda que o país deve apostar no reforço dos setores produtivos, com destaque para a agricultura, como forma de reduzir a dependência externa e aliviar a pressão sobre a balança de pagamentos.

Maputo vive dias de caos em várias ruas, com filas generalizadas de automobilistas que tentam abastecer combustível, com a maioria dos postos encerrados e outros com reforço policial, embora com ligeiras melhorias na disponibilidade de gasolina e gasóleo.

O cenário, associada à crise provocada pelo conflito no Médio Oriente, tem vindo a alastrar-se a outras províncias do país.

O Governo reconheceu na terça-feira “pressão” sobre os postos de combustíveis, quando surgem enormes filas para abastecer face a receios de rutura de ‘stock’ e subida de preços.

“Os novos preços vão ter que chegar”, disse na terça-feira o Presidente da República, justificando a situação dos combustíveis com a guerra no Médio Oriente, que afeta Moçambique, cujas importações dependem em 80% do envio através do estreito de Ormuz, bloqueado pelo Irão e agora pelos Estados Unidos da América.

“Enquanto a guerra continuar não vamos conseguir continuar a esticar a corda [dos preços atuais, ainda sem aumentos] por muito mais tempo”, afirmou Daniel Chapo.

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