
Mafra, Lisboa, 17 abr 2026 (Lusa)- O Palácio Nacional de Mafra está a ter as primeiras grandes obras de conservação e restauro, financiadas pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), que estão a decorrer a bom ritmo para terminarem em julho.
Por entre andaimes, ferramentas e cabos de obra, Hugo Moreira Luís, presidente da Câmara de Mafra, entidade responsável pela obra, afirmou que “as empreitadas que estão a decorrer alinhadas com o propósito de terminar as todas as obras em julho, de acordo com o que está previsto no PRR”, apesar de alguns atrasos resultantes do mau tempo deste inverno.
A empreitada, no valor de 7,3 milhões de euros, englobou obras de conservação e restauro na biblioteca, basílica e na envolvente do monumento, incluindo algumas coberturas e fachadas.
“Foi uma oportunidade única de fazermos uma intervenção global dentro da basílica [encerrada ao público há dois anos] que não há conhecimento que se tenha feito”, explicou a engenheira civil responsável pelo acompanhamento da obra, Albertina Rodrigues.
A técnica do Património Cultural explicou que “a intervenção da basílica é essencialmente conservativa” para “valorizar todos os espaços e, por outro lado, mitigar situações de risco, por exemplo, de fragmentos que estavam em queda, de juntas abertas, de infiltrações”, mas houve também o restauro das superfícies pétreas e de algum património.
Recordando que, no século XVIII, o rei João V mandou construir um palácio em pedra de vários tons para dar cor, sem uso de quaisquer pinturas, a técnica de restauro Fátima de Llera explicou que “superfícies estavam muito empoeiradas, cinzentas, não se distinguia o amarelo e o encarnado, que são variáveis do lioz”, e que o restauro devolveu a cor.
“Nunca houve uma obra de limpeza. E agora o ‘timing’ era certo, não só pelo financiamento do PRR, mas também porque já havia alguns problemas que inviabilizavam o usufruto normal da igreja, porque principalmente a pedra do encarnadão é muito fossilífera e, quando sujeito à ação da água, a algumas infiltrações, desfaz-se e os fósseis caem a 60 metros de altura e já estávamos com alguns problemas de segurança”, sublinhou a também sócia-gerente da In Situ, empresa responsável pelo restauro.
As primeiras grandes obras de conservação e restauro em 300 anos vão “preparar o monumento para a comemoração dos 300 anos da sagração da basílica [em 2030]”, salientou a vice-presidente do Património Cultural Ana Catarina Sousa.
Contudo, os técnicos estão convictos de que, pela dimensão do monumento, as obras não vão resolver todos os problemas, nomeadamente o das infiltrações, agravadas pelo mau tempo do último inverno.
“Em relação à Basílica, as prioridades que eu considero vão ser o exterior da basílica: as suas fachadas, cornijas, sistemas de drenagem de água e as caixarias que ficaram por fazer”, apontou Albertina Rodrigues, acrescentando que estão por intervir fachadas e janelas do monumento.
No âmbito do Dia Internacional dos Monumentos e Sítios, que se assinala no sábado, está previsto visitas do público às obras da basílica (já esgotadas) e à biblioteca e um concerto de carrilhão.
A iniciativa “Entre na Obra”, lançada em 2025 pelo Património Cultural para monumentos com obras do PRR, como foram os casos do Mosteiro dos Jerónimos e da Torre de Belém, resultou de 300 inscrições a nível nacional.
Também as obras com vista à instalação do Museu Nacional da Música no Palácio Nacional de Mafra foram financiadas pelo PRR em sete milhões de euros.
O Museu Nacional da Música possui uma das mais ricas coleções da Europa de instrumentos musicais, com um acervo composto por mil instrumentos dos séculos XVI ao XX, de tradição erudita e popular.
O património mais importante do Palácio Nacional de Mafra é composto pelo maior conjunto sineiro do mundo, com dois carrilhões e 119 sinos, repartidos por sinos das horas, da liturgia e dos carrilhões, seis órgãos históricos e a biblioteca.
O monumento foi classificado como Património Cultural Mundial da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO), em julho de 2019.
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