
Mais de 150 reclusos foram libertados indevidamente nas prisões de Ontário, no Canadá, entre 2021 e 2025. A informação consta de documentos oficiais obtidos através de pedidos de acesso à informação dos media canadianos e revela falhas administrativas, erros humanos e problemas nos procedimentos judiciais.
O premier de Ontário, Doug Ford, classificou a situação como “inaceitável” e garantiu a abertura de uma investigação para apurar responsabilidades e esclarecer como ocorreram estas libertações.
O procurador-geral, Michael Kerzner, reconheceu a existência de falhas no sistema, sem avançar, no entanto, com medidas concretas já implementadas para evitar a repetição de casos semelhantes.
Segundo os documentos, a maioria dos erros ocorreu em estabelecimentos prisionais e tribunais, num contexto de forte pressão sobre o sistema. As cadeias de Ontário enfrentam há vários anos uma situação de sobrelotação, agravada por atrasos nos tribunais, falta de pessoal e maior duração das detenções preventivas.
Cerca de 80% dos reclusos encontram-se em prisão preventiva, à espera de julgamento, o que aumenta a complexidade da gestão diária e eleva o risco de falhas nos processos de libertação.
A oposição liberal critica o governo por não assumir responsabilidades nem apresentar soluções imediatas. Defende o reforço dos tribunais, dos serviços sociais e do apoio em saúde mental, como forma de aliviar a pressão sobre o sistema prisional.
O governo mantém, por sua vez, o plano de expansão das prisões, com a construção de milhares de novas vagas previstas para as próximas décadas, num investimento avaliado em vários milhares de milhões de dólares.
Persistem, no entanto, dúvidas sobre como ocorreram estas libertações indevidas e que medidas serão adotadas para evitar que se repitam.
