
Washington, 16 abr 2026 (Lusa) – O Presidente norte-americano afirmou hoje que está para breve um acordo entre Teerão e Washington e que o Irão concordou em entregar o seu urânio enriquecido, uma das exigências dos Estados Unidos para chegar a um acordo.
“Eles concordaram em devolver-nos o pó nuclear”, afirmou Donald Trump aos jornalistas na Casa Branca, utilizando o termo que emprega para designar as reservas de urânio enriquecido iraniano, acrescentando: “Há muito boas hipóteses de chegarmos a um acordo”.
Trump disse ainda que considera possível não ter de prorrogar o cessar-fogo com o Irão, que expira no próximo dia 22 de abril, pois acredita que Washington e Teerão poderão chegar em breve a um acordo de paz.
“Estamos a ir muito bem [nas negociações]. Posso dizer-vos que, talvez, [um acordo] se concretize antes disso. Não tenho a certeza de que seja necessário prolongar [a trégua]”, continuou o líder republicano quando questionado sobre se a sua administração contempla a possibilidade de prorrogar o cessar-fogo em vigor desde 08 de abril.
“O Irão quer chegar a um acordo e estamos a lidar com eles de forma muito cordial. Temos de garantir que não haja armas nucleares e, se o conseguirmos, será um fator determinante. E eles estão dispostos a fazer hoje coisas que não estavam dispostos a fazer há dois meses”, acrescentou antes de partir para Las Vegas para um evento de campanha para as próximas eleições de novembro.
Donald Trump, ainda assim, afirmou que, “se não houver acordo, os combates serão retomados”.
“Temos uma relação muito boa com o Irão neste momento. É difícil de acreditar, mas acho que é uma combinação de cerca de quatro semanas de bombardeamentos e um bloqueio muito forte. O bloqueio é talvez mais forte do que os bombardeamentos”, afirmou o Presidente, referindo-se ao bloqueio imposto por Washington aos navios com origem ou destino a portos iranianos e que tentem atravessar o estreito de Ormuz.
O republicano admitiu mesmo viajar até ao Paquistão caso se chegue a um acordo de paz e o tratado resultante seja assinado nesse país que tem mediado as conversas entre os beligerantes.
“Poderia ir, sim. Poderia ir se o acordo for assinado em Islamabad”, afirmou.
“O Paquistão tem sido fantástico. Têm sido muito bons. É possível que vá a Islamabad, sim. O Marechal de Campo [em referência ao Chefe do Estado-Maior paquistanês] tem sido excelente. O primeiro-ministro do Paquistão tem sido realmente magnífico”, acrescentou o republicano.
O chefe do Estado-Maior paquistanês, Asim Munir, que viajou na quarta-feira para Teerão, e o primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, têm sido duas figuras centrais na mediação entre o Irão e os Estados Unidos
No fim de semana passado as partes mantiveram mais de 20 horas de conversações em Islamabad sem conseguir chegar a um acordo de paz e sem aproximar posições sobre a inclusão do Líbano no cessar-fogo acordado no passado dia 08 de abril.
Agora, com o anúncio de um cessar-fogo de 10 dias no Líbano, esta exigência de Teerão estará assegurada e poderá fazer avançar o processo negocial entre os países em guerra desde 28 de fevereiro.
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