
Beirute, 16 abr 2026 (Lusa) – O deputado do Hezbollah Hussein Hajj Hassan criticou hoje a decisão do Governo do Líbano de manter negociações diretas com Israel, considerando tratar-se de “um pecado e um erro grave”.
“As negociações diretas com o inimigo são um pecado grave e um erro grave (…) e não servem qualquer interesse para o país”, declarou Hajj Hassan à agência de notícias France-Presse (AFP).
“O que dizer, então, se houver um contacto ao nível referido por Trump?”, questionou.
O Presidente norte-americano, Donald Trump, disse que os líderes de Israel e do Líbano iriam dialogar hoje, após uma primeira reunião a nível diplomático na terça-feira, em Washington.
Um contacto deste tipo ao nível de líderes seria uma novidade entre os dois países, que estão tecnicamente em estado de guerra.
No entanto, o Presidente libanês, Joseph Aoun, recusou o pedido norte-americano para estabelecer um “contacto direto” com o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, disse uma fonte oficial libanesa à AFP.
O representante do Hezbollah apelou aos responsáveis libaneses para que ponham “fim à série de concessões gratuitas e sem contrapartida”.
O Hezbollah envolveu o Líbano na guerra regional com o Irão em 02 de março, ao atacar Israel para defender Teerão.
Desde então, as operações israelitas causaram cerca de 2.200 mortos e mais de um milhão de deslocados em território libanês.
Hajj Hassan acusou o Governo libanês de recusar ser incluído na trégua regional em vigor desde 08 de abril devido a uma alegada “hostilidade face ao Irão”.
“O Líbano oficial insiste em obter um cessar-fogo através dos israelitas e dos norte-americanos, (…) não o quer alcançar por intermédio do Irão”, criticou o deputado do grupo apoiado pelo Irão.
Israel exige a Beirute o desarmamento do Hezbollah, considerado “um Estado dentro do Estado” dado o poder de que se dotou desde que foi criado em 1982, em resposta à então invasão israelita do Líbano.
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