
Jerusalém, 16 abr 2026 (Lusa) — O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, vai falar com o Presidente libanês, Joseph Aoun, que já afirmou que o cessar-fogo será “o ponto de partida” nas negociações com Israel, indicaram hoje fontes oficiais dos dois países.
“O primeiro-ministro [de Israel] vai falar pela primeira vez com o Presidente do Líbano após tantos anos de rutura total do diálogo entre os dois países, e pode esperar-se que esta iniciativa conduza, finalmente, à prosperidade e ao desenvolvimento do Líbano enquanto Estado”, afirmou a ministra da Inovação israelita, Gila Gamliel, à rádio militar de Israel.
Gamliel não avançou exatamente quando e de que forma os dois responsáveis irão conversar.
“Está em curso um processo histórico em todos os aspetos para erradicar a ameaça [do movimento islamista libanês Hezbollah] e não a política de contenção que prevalecia no passado, mas a eliminação efetiva de todo o potencial de quem procura prejudicar os cidadãos do Estado de Israel”, acrescentou a ministra.
Na quarta-feira, o Presidente norte-americano, Donald Trump, tinha declarado anteriormente que os “líderes” de Israel e do Líbano iriam falar hoje, o que constituiria uma estreia, sem, no entanto, indicar os nomes de quem participaria.
Washington impulsionou a realização da reunião, após Trump ter afirmado que “os dois líderes” do Líbano e de Israel falariam hoje.
“Há muito tempo que os dois líderes não falam, cerca de 34 anos. Será amanhã [hoje]”, declarou Trump numa breve mensagem nas redes sociais.
Na passada terça-feira, os embaixadores dos dois países em Washington realizaram conversações diretas numa altura em que Israel e o Hezbollah, aliado do Irão, estão novamente em guerra desde 02 de março.
Em Beirute, Aoun, ao confirmar o encontro com Netanyahu, afirmou hoje que o cessar-fogo será “o ponto de partida” nas negociações com Israel.
“O cessar-fogo que o Líbano exige a Israel será o ponto de partida natural para negociações diretas entre os dois países, de acordo com a iniciativa presidencial”, indicou numa mensagem divulgada pelo seu gabinete, após uma reunião com o secretário de Estado britânico para o Médio Oriente, Hamish Nicholas Falconer.
O chefe de Estado libanês insistiu no “compromisso” do Líbano em “travar a escalada no sul e em todas as regiões libanesas”, sublinhando que devem cessar os ataques contra “civis inocentes” e “a destruição de habitações nas cidades libanesas”.
Segundo Aoun, as autoridades libanesas serão “as únicas responsáveis pelas negociações”, salientando que estão em causa matérias soberanas e que um passo essencial seria a retirada das forças militares israelitas do território libanês.
O Líbano já apelou em várias ocasiões a Israel para a abertura de negociações bilaterais, algo apenas aceite há uma semana por Netanyahu, que ordenou a realização de negociações diretas com o Líbano para estabelecer “relações pacíficas” e trabalhar em conjunto para “desmantelar” o Hezbollah, um ponto também defendido por Beirute.
Líbano e Israel, que não mantêm relações diplomáticas, tiveram pela última vez conversações de alto nível em 1993, embora não ao nível de presidente e primeiro-ministro.
O movimento xiita abriu uma frente contra Israel a 02 de março para vingar a morte do líder supremo iraniano, o aiatola Ali Khamenei, morto a 28 de fevereiro no primeiro dia da ofensiva israelo-americana contra o Irão, que desencadeou uma guerra regional.
Israel respondeu com bombardeamentos aéreos de grande escala e mortíferos em todo o Líbano e com a ofensiva terrestre em curso no sul do país, mesmo após a entrada em vigor do cessar-fogo decretado por Washington com o Irão a 08 de abril.
Os ataques de 08 de abril causaram pelo menos 357 mortos e 1.223 feridos, segundo o mais recente balanço oficial provisório citado pela agência de notícias espanhola EFE.
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