
Setúbal, 15 abr 2026 (Lusa) – A Associação Sindical Portuguesa dos Enfermeiros (ASPE) denunciou hoje a deslocação de enfermeiros, sem notificação formal da colocação, para a nova Urgência regional de Ginecologia e Obstetrícia do Hospital Garcia de Orta, em Almada.
Em comunicado, a ASPE manifesta “profunda preocupação com a implementação da urgência centralizada de âmbito regional de ginecologia e obstetrícia da Península de Setúbal, que entrou hoje em funcionamento, e que terá estado na origem da deslocação de enfermeiros especialistas em Saúde Materna e Obstétrica da Unidade Local de Saúde (ULS) do Arco Ribeirinho para o Hospital Garcia de Orta”.
Segundo a associação, essas deslocações já constam das escalas de abril, sem que tivesse havido qualquer notificação individual ou enquadramento formal, e questiona os critérios de seleção, os critérios de integração clínica e responsabilidades hierárquicas, bem como as questões de transporte, ajudas de custo e acesso aos sistemas de informação.
No comunicado, a ASPE alerta também para a redução da atividade no Hospital do Barreiro, advertindo que a atividade do bloco de partos será apenas para procedimentos programados de segunda a quarta-feira, encerrando totalmente entre quinta-feira e domingo, período em que apenas permanecem equipas mínimas na urgência de obstetrícia e ginecologia daquela unidade hospitalar.
Para a ASPE, a reorganização daquele serviço no Hospital do Barreiro significa o “encerramento da urgência obstétrica e ginecológica naquela unidade, contrariando declarações da ministra da Saúde, Ana Paula Martins, e orientações da Direção Executiva do Serviço Nacional de Saúde”.
“Face à gravidade da situação, a ASPE solicitou esclarecimentos formais à Presidente do Conselho de Administração da ULS Arco Ribeirinho e deu conhecimento da situação à Direção Executiva do SNS, exigindo acompanhamento de proximidade e comunicação transparente com os trabalhadores, de forma a prevenir conflitualidade laboral e a garantir a qualidade e segurança dos cuidados”, acrescenta a associação sindical de enfermeiros.
O Hospital Garcia de Orta, em Almada, começou hoje a funcionar como urgência regional de ginecologia e obstetrícia da Península de Setúbal, para responder à falta de profissionais de saúde nesta especialidade. Em Almada houve, em 2025, cerca de 2.200 partos.
Esta é a segunda urgência regional a abrir, depois de uma solução idêntica ter sido adotada em 16 de março no Hospital Beatriz Ângelo, em Loures (distrito de Lisboa), no âmbito de um novo modelo que tem motivado a contestação de autarcas e representantes dos utentes.
A urgência centralizada vai funcionar em dois polos, um no Hospital Garcia de Orta e outro no Hospital de São Bernardo, em Setúbal.
O hospital-sede da urgência regional de ginecologia e obstetrícia da Península de Setúbal, que tem apoio perinatal diferenciado, é o Garcia de Orta, cabendo ao Hospital de São Bernardo assegurar o serviço de urgência para a população da sua área de influência – Setúbal, Alcácer do Sal, Grândola, Palmela, Santiago do Cacém, Sesimbra e Sines.
A urgência do hospital do Barreiro, que tem como área de influência os concelhos do Barreiro, Moita, Montijo e Alcochete, encerra, mas a Direção Executiva do Serviço Nacional de Saúde assegurou que a maternidade vai continuar a funcionar.
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