
Lisboa, 15 abr 2026 (Lusa) — O secretário-geral do PS acusou hoje o Governo de “arrecadar receita à custa do sacrifício dos portugueses”, o que considerou imoral, tendo o primeiro-ministro recusado “hipotecar o futuro” para ficar “bem numa fotografia” no presente.
No debate quinzenal que hoje decorre no parlamento, o secretário-geral do PS, José Luís Carneiro, arrancou a sua intervenção com a resposta do Governo à crise gerada pela guerra no Irão e acusou o executivo de Luís Montenegro de insensibilidade e de traçar um “quadro cor-de-rosa da vida dos portugueses”, que diz não ser a realidade no dia-a-dia das pessoas.
“É imoral que o Governo continue a arrecadar receita à custa do sacrifício dos portugueses”, acusou o líder do PS, apresentando uma previsão de aumento de receita de IVA dos combustíveis na ordem dos 500 milhões de euros por ano, tendo em conta a inflação.
Na resposta, o primeiro-ministro recusou precipitações em relação à evolução inflacionista, avisando que a precipitação é uma “inimiga da boa decisão e da boa gestão pública”.
“Eu creio que estas medidas poderão ser consideradas insuficientes. Elas estão em constante evolução face àquilo que é também a evolução da situação. Há uma coisa que nós não faremos: não vamos hipotecar o futuro para ficarmos bem numa fotografia apenas do presente”, enfatizou Montenegro.
Montenegro respondeu ainda a Carneiro que quadros cor-de-rosa não eram a sua especialidade.
“Não são a minha especialidade, mas são a sua. Os quadros cor-de-rosa que o senhor deputado, ao longo dos últimos anos, veio sustentando são os quadros do aumento generalizado dos impostos e da carga fiscal, são os quadros da deterioração dos serviços públicos, são os quadros, esses sim, da insensibilidade, da criação da ilusão de que é possível dar tudo a todos, ao mesmo tempo, sem criar desequilíbrios”, acusou.
De acordo com o primeiro-ministro, o PS, “com o devido respeito, não acerta uma”.
“Não acerta uma. Porque ou bem que leva o país para uma situação de desequilíbrio porque tem uma gestão completamente desregrada das finanças públicas, ou bem que tenta criar um equilíbrio, mas o equilíbrio é criado à custa de mais impostos e à custa do sofrimento das pessoas com a diminuição da prestação de serviços públicos”, disse.
O secretário-geral do PS retomou na sua intervenção um tema que já tinha sido trazido no início do debate pela líder da IL, Mariana Leitão, e, recorrendo aos dados do Instituto Nacional de Estatística, referiu que, “como a receita de impostos e a receita contributiva cresceu acima do crescimento nominal da economia, significa que o senhor Primeiro Ministro prometeu baixar a carga fiscal e aumentou a carga fiscal” em 0,2 pontos percentuais.
“O senhor primeiro-ministro também tem um título e esse título é o seguinte: conseguiu a segunda maior carga fiscal dos últimos 15 anos”, atirou o líder do PS, que considerou que o INE também deu razão ao PS na questão do saldo da Segurança Social.
Carneiro perguntou assim a Montenegro se “faltou à verdade” ao parlamento “porque não tinham os números exatos” ou “porque quis”.
“Eu não faltei à verdade e transmiti-lhe os números que naquela circunstância eram os números reais da Segurança Social”, respondeu o primeiro-ministro, contrapondo que o líder do PS teve a “intenção de adulterar a verdade no que diz respeito à carga fiscal”.
De acordo com o chefe do executivo, “a carga fiscal sobre os impostos em Portugal desceu de 2023 para 2025 de 24,9% do produto para 24,5%, enquanto a carga contributiva desceu de 2023 para 2024 e subiu de 2024 para 2025 fruto do aumento dos salários”.
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