Apoiantes do político sul-africano Julius Malema protestam antes da leitura da sentença

KuGumpo, África do Sul, 15 abr 2026 (Lusa) – Centenas de apoiantes do líder do partido político da esquerda radical da África do Sul, Julius Malema, protestaram hoje em East London, antes da leitura da sentença por ter disparado uma arma há oito anos.

A acusação contra o líder dos Combatentes da Liberdade Económica (EFF, na sigla inglesa) foi apresentada à justiça pelo grupo de extrema-direita AfriForum, que comunicou à administração do Presidente norte-americano, Donald Trump, as suas queixas de longa data contra Malema.

Um importante dispositivo policial foi mobilizado hoje na cidade de KuGumpo, antiga East London, no leste do país, enquanto simpatizantes do EFF marchavam em direção ao tribunal antes das alegações finais e da leitura da sentença, previstas para hoje.

O Ministério Público pede a pena máxima de 15 anos de prisão contra Malema, considerado culpado em outubro por ter infringido a legislação sobre armas de fogo ao disparar para o ar durante uma festa do partido em 2018.

O EFF denunciou que este caso é uma tentativa de silenciar o seu líder carismático, conhecido pelos seus discursos.

Malema é criticado há muito tempo pelo AfriForum, nomeadamente por ter entoado nos seus comícios um ‘slogan’ ‘anti-apartheid’ – “Kill the Boer” (“Matem o Boer”, termo que designa a população ‘afrikaner’ branca do país) -, que este grupo de extrema-direita qualifica de discurso de ódio que incita à violência contra os brancos.

Em maio de 2025, durante entrevistas nos Estados Unidos com o chefe de Estado sul-africano, Cyril Ramaphosa, Donald Trump divulgou excertos de um vídeo de Julius Malema a entoar este ‘slogan’.

O Presidente norte-americano reiterou alegações de uma campanha de violência orquestrada contra os agricultores brancos na África do Sul.

O hino de guerra sul-africano e o ‘slogan’ ‘anti-boer’ é controverso na África do Sul, mas os tribunais decidiram que não constitui discurso de ódio e que deve ser considerado no contexto da luta contra o regime racista do ‘apartheid’, liderado pela minoria branca, que terminou em 1994.

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