Trabalhadores de limpeza da Lucena & Lucena em greve contra salários em atraso

Redação, 14 abr 2026 (Lusa) — Trabalhadores de limpeza da empresa Lucena & Lucena cumpriram hoje um dia de greve com “adesão significativa” devido a problemas com o pagamento de salários, avançou o Sindicato de Todos os Trabalhadores de Empresas Prestadoras de Serviços (STTEPS).

A paralisação afetou o Instituto Politécnico do Porto (IPP) e o Instituto Politécnico de Viana do Castelo (IPVC), bem como outras entidades em todo o país, uma vez que a empresa é contratada para prestar serviços de limpeza, explicou à Lusa Eduardo Teixeira, coordenador nacional do STTEPS.

O responsável diz que estão em causa 300 trabalhadores e que aos 15 ao serviço do IPVC não foi ainda pago o salário de março.

“A greve foi convocada devido aos problemas que, desde há três meses, não conseguimos resolver, com pagamentos de salários, subsídios de férias ou pagamentos à segurança social”, afirmou o coordenador.

O STTEPS convocou outra greve com o mesmo propósito para dia 30 de abril e só admite suspendê-la “se a empresa cumprir”.

“Vamos aguardar o posicionamento da empresa face ao IPP e ao IPVC para ver se estarão reunidas as condições para os trabalhadores continuarem a trabalhar”, afirmou.

Eduardo Teixeira disse ainda à Lusa ter recebido um e-mail da empresa dizendo que a Lucena & Lucena “está com dificuldades financeiras e quer rescindir contrato com o IPP e o IPVC para conseguir assegurar outros serviços menores”.

Em comunicado, o IPVC assegura que “tem vindo a cumprir integralmente todas as obrigações contratuais e financeiras para com a empresa adjudicatária, não existindo qualquer incumprimento por parte da instituição relativamente aos pagamentos devidos no âmbito do contrato em vigor”.

“Trata-se, por isso, de uma situação que decorre da esfera de responsabilidade da empresa contratada, à qual compete assegurar integralmente o pagamento atempado dos salários aos seus trabalhadores, bem como o regular cumprimento das restantes obrigações laborais e legais”, sublinha.

O IPVC afirma ainda que, “perante a gravidade do ocorrido, tem desenvolvido diligências adequadas junto da empresa no sentido de exigir o imediato esclarecimento da situação e a sua rápida regularização”.

O instituto reserva-se “o direito de acionar os mecanismos contratuais e legais aplicáveis, caso tal se revele necessário”.

A Lusa tentou, sem sucesso até ao momento, ouvir a empresa.

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