Governo moçambicano diz estar a dar passos para novo programa do FMI

Maputo, 14 abr 2026 (Lusa) — O Governo moçambicano admite estar a dar passos para acordar um novo programa de apoio junto do Fundo Monetário Internacional (FMI), após ter sido paga, antecipadamente, a dívida total de 630 milhões de euros.

“Estamos na bitola de voltar a ter um acordo com o FMI”, admitiu o ministro Salim Valá, porta-voz da reunião semanal do Conselho de Ministros, realizada hoje em Maputo, questionado pelos jornalistas.

“De parte a parte, há compromissos que devem ser assumidos, devem ser acordados e continuamos alinhados e comprometidos para que Moçambique possa ter um acordo com o FMI”, acrescentou, sublinhando a importância de o país ter liquidado a dívida junto da instituição, em março.

“O pagamento da dívida foi uma ação muito concreta. Apesar das limitações que tem, Moçambique ainda é um país em vez de desenvolvimento, mobilizou os esforços, os recursos e tomou a decisão de pagar aquilo que era dívida, até para mostrar que tem comprometimento, é um país sério, é um Governo sério e quer honrar os seus compromissos para abrir novas janelas para outras oportunidades, outros acordos, com uma instituição muito relevante como é o FMI”, acrescentou o também ministro da Planificação e Desenvolvimento.

Moçambique assume querer negociar um novo programa de apoio com o FMI durante encontros que decorrem esta semana em Washington com responsáveis das instituições financeiras internacionais.

“O pagamento antecipado da dívida ao FMI não implica que o engajamento com o fundo terminou. Pelo contrário, nós vamos abrir uma nova página com o FMI e vamos, naturalmente, nesta semana, ter encontros ao nível do Fundo para engajarmos no novo programa”, disse o diretor nacional das Análises Fiscais e Financeiras, Alfredo Mutombene.

O responsável explicou que as reuniões começaram na segunda-feira e prolongam-se até sexta-feira, no âmbito das reuniões de primavera do FMI e do Banco Mundial.

A delegação moçambicana é chefiada pela ministra das Finanças, Carla Loveira, e prevê encontros técnicos com responsáveis das duas instituições financeiras para discutir novas formas de cooperação económica.

O Presidente moçambicano, Daniel Chapo, classificou em 09 de abril como “corajosa” a decisão de liquidar total e antecipadamente a dívida de 630 milhões de euros ao FMI, garantindo que demonstra a “responsabilidade” de Moçambique, recorrendo às reservas internacionais do país.

“Esta corajosa decisão deve ser vista de forma positiva e estratégica, como um sinal inequívoco da responsabilidade macroeconómica e do reforço da estabilidade internacional de Moçambique. E porque, igualmente, a dignidade de um povo não tem preço”, disse Chapo.

“Por isso, continuaremos a adotar medidas que estimulem a produção interna, a atração de mais investimentos, através do fortalecimento de um ambiente de negócios mais favorável e uma economia cada vez mais competitiva”, acrescentou, insistindo na disponibilidade para um novo programa de apoio do FMI, em negociação desde 2025, quando o programa em vigor foi terminado antes da sua conclusão.

O Ministério das Finanças moçambicano confirmou, na quinta-feira, que fez uma “amortização integral e antecipada” de 630 milhões de euros junto do FMI, liquidando financiamentos contraídos no âmbito do Fundo para a Redução da Pobreza e o Crescimento (PRGT).

Em comunicado, o ministério refere que procedeu ao “reembolso antecipado da totalidade das obrigações” de Moçambique associadas ao programa PRGT do FMI no valor total de 698.587.604 dólares (630 milhões de euros).

Os empresários moçambicanos consideram que a liquidação de toda a dívida de Moçambique junto do FMI contribui para a consolidação da confiança dos parceiros externos e criação de condições para o aprofundamento da cooperação económica e financeira, mas alertam que a estabilidade macroeconómica deve ser acompanhada por “medidas internas consistentes, que promovam um crescimento inclusivo e sustentável”.

 

PVJ // JMC

Lusa/Fim