Trump anuncia bloqueio a portos iranianos e critica Papa após falha negocial

Washington, 13 abr 2026 (Lusa) — O Presidente norte-americano anunciou hoje o bloqueio dos portos iranianos, salientou que Teerão procura um acordo “a qualquer custo”, depois do fracasso das negociações, e acusou o Papa Leão XIV de ser “muito fraco”.

Numa mensagem publicada na sua rede social, Donald Trump indicou que 34 navios atravessaram o estreito de Ormuz no domingo, classificando o número como o mais elevado desde o início do bloqueio imposto pelo Irão, na sequência da ofensiva militar dos Estados Unidos e de Israel, lançada a 28 de fevereiro.

O chefe de Estado ordenou o bloqueio dos portos iranianos a partir de hoje, na sequência do fracasso das negociações diretas com Teerão, realizadas no Paquistão, para pôr fim ao conflito no Médio Oriente.

Em declarações aos jornalistas na Casa Branca, Trump afirmou que “o outro lado” entrou em contacto com Washington e manifestou disponibilidade para alcançar um entendimento, sublinhando que os líderes iranianos querem fechar um acordo “a qualquer custo”.

No mesmo dia, o Presidente norte-americano recusou pedir desculpa ao Papa, a quem chamou “muito fraco”, na sequência de críticas de Leão XIV à atuação dos Estados Unidos na crise com o Irão.

Trump acusou o líder da Igreja Católica de ter feito “declarações falsas” e de se opor às medidas norte-americanas destinadas a impedir que o Irão adquira armas nucleares.

O Presidente norte-americano acrescentou ainda que o Papa demonstrou “grande fraqueza” em várias matérias, incluindo no combate ao crime.

Leão XIV já reagiu, dizendo “não ter medo” do Governo norte-americano e sentir “um dever moral” de se manifestar a favor da paz.

No avião que levava o Papa de Roma para Argel, a primeira paragem de uma viagem de 11 dias por quatro países africanos, o líder religioso acrescentou, aos jornalistas que o acompanhavam, não ter “qualquer intenção de entrar em debate” com Donald Trump.

“Não tenho medo, nem da administração Trump, nem de falar alto e claro sobre a mensagem do evangelho”, disse Leão XIV, acrescentando que a sua “mensagem é sempre a mesma: promover a paz”.

“Acredito que a Igreja tem o dever moral de se manifestar muito claramente contra a guerra”, concluiu o Papa, sublinhando a importância de regressar ao caminho da diplomacia.

 

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