
Londres, 13 abr 2026 (Lusa) – O primeiro-ministro britânico anunciou hoje a realização, em conjunto com França, de uma cimeira internacional de líderes, ainda esta semana, sobre o estreito de Ormuz para procurar um “plano coordenado, independente e multinacional”.
Keir Starmer adiantou que a cimeira, com cerca de 40 países participantes, terá dois eixos principais: o avanço dos esforços diplomáticos para alcançar a reabertura do estreito e o planeamento militar para garantir a segurança da navegação quando as hostilidades terminarem.
“Juntamente com o Presidente [Emmanuel] Macron, vou convocar uma cimeira de líderes esta semana para impulsionar o esforço internacional que construímos nas últimas semanas, reunindo dezenas de países para garantir a liberdade de navegação no estreito de Ormuz”, afirmou no Parlamento britânico.
A conferência, disse, vai discutir “os esforços diplomáticos para exercer pressão no sentido de um fim negociado do conflito e da abertura do estreito” e “o planeamento militar para garantir a segurança da navegação, assim que um ambiente estável possa ser estabelecido”.
Macron tinha já referido a realização de um encontro, em breve, “com países dispostos a contribuir” para “uma missão multinacional pacífica com o objetivo de restaurar a liberdade de navegação” no estreito de Ormuz.
“Esta missão estritamente defensiva, separada dos beligerantes, será destacada assim que a situação o permitir”, escreveu Macron nas redes sociais.
O líder francês acrescentou que esta missão não se destina a ser diretamente integrada nos esforços dos Estados Unidos para a resolução do bloqueio do estreito de Ormuz.
A reunião, ainda sem data conhecida, segue-se a uma série de encontros promovidos pelo Governo britânico com cerca de 40 países para coordenar uma resposta internacional que garanta a segurança dos fluxos comerciais na região do Médio Oriente.
O ministro dos Negócios Estrangeiros português, Paul Rangel, participou na reunião inicial, realizada em modo virtual, em 02 de abril.
“Permitam-me ser muito claro: trata-se de salvaguardar a navegação e apoiar a liberdade de navegação assim que o conflito terminar. O nosso objetivo aqui é um plano coordenado, independente e multinacional”, sublinhou Starmer.
O líder trabalhista disse que “este é o momento para uma liderança clara e serena”.
O estreito de Ormuz liga o golfo Pérsico ao golfo de Omã e é usado para exportar 20% do petróleo mundial, 19% do gás natural liquefeito e 13% dos produtos químicos e fertilizantes necessários para a agricultura.
O Irão tem mantido o controlo total sobre a navegação pelo estreito, tendo apenas permitido desde o início da guerra a passagem de navios de países aliados, e com os quais manteve conversações recentes, como a China e a Índia.
A Organização Marítima Internacional indicou que, devido ao bloqueio, estão retidos desde o início de março cerca de 20 mil marinheiros e 1.600 navios.
Entretanto, os Estados Unidos anunciaram que vão iniciar, a partir desta tarde, um bloqueio ao estreito de Ormuz para impedir o acesso aos portos do Irão, na sequência da falta de acordo nas negociações realizadas no fim de semana na capital do Paquistão.
Starmer proferiu a intervenção na Câmara dos Comuns, câmara baixa do Parlamento britânico, para atualizar os deputados sobre a visita que realizou ao Médio Oriente na semana passada.
O chefe do Governo britânico visitou Arábia Saudita, Qatar, Emirados Árabes Unidos e Bahrein, onde foi recebido pelos respetivos líderes.
“Todos os líderes com quem me encontrei foram muito claros: a liberdade de navegação é vital e deve ser restaurada, sem condições, sem portagens e sem tolerância para que o Irão mantenha a economia mundial como refém”, disse Keir Starmer.
A 28 de fevereiro, Estados Unidos e Israel lançaram uma ofensiva contra o Irão, que retaliou com o bloqueio do estreito de Ormuz e ataques contra alvos israelitas, bases norte-americanas na região e infraestruturas civis e energéticas em países vizinhos.
BM (CSR) // EJ
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