UE não deteta irregularidades nas eleições no Peru apesar de registar atrasos

Lima, 12 abr 2026 (Lusa) – A missão de observação eleitoral da União Europeia (UE) no Peru não detetou, até ao momento, irregularidades nas eleições gerais que se realizam hoje no país, apesar dos atrasos na abertura dos centros de votação.

A chefe da missão europeia, a eurodeputada italiana Annalisa Corrado, informou aos meios de comunicação locais que, apesar dos atrasos ocorridos em numerosos centros de votação de Lima, não ouviram falar de “nenhuma irregularidade até agora”.

“Lamentamos pelas pessoas que tiveram de esperar, mas até agora não nos chegou qualquer notícia de irregularidades”, indicou Corrado.

“Pudemos observar que houve alguns atrasos, sobretudo na cidade de Lima, mas, pelo que vimos até ao momento, trata-se de atrasos devidos ao material e a problemas logísticos relacionados com o mesmo. Em algumas mesas, houve problemas com o sistema de ‘software’ e também muito poucos membros das mesas chegaram atrasados”, acrescentou.

Precisamente, uma das novidades destas eleições foi o alargamento do horário de votação, que passou a ser das 07:00 às 17:00, (das 12:00 às 22:00 em Lisboa), em vez do horário tradicional, que era das 08:00 às 16:00, hora local (das 13:00 às 21:00 em Lisboa), por recomendação de missões internacionais de observação eleitoral em processos anteriores, como a UE.

No entanto, desde as primeiras horas do dia das eleições, várias mesas de voto e até mesmo locais de votação não conseguiram iniciar as suas funções ou abrir, devido ao material eleitoral ainda não ter chegado ou a problemas informáticos relacionados com a plataforma da Oficina Nacional de Processos Eleitorais (ONPE).

O órgão eleitoral emitiu um comunicado no início do dia eleitoral, no qual atribuiu o atraso a um incumprimento por parte da empresa encarregada de distribuir o material eleitoral e indicou que este chegaria por volta das 08:00 locais, mas às 12:00 ainda existiam locais que não tinham conseguido abrir.

O candidato ultraconservador Rafael López Aliaga afirmou, após votar, que não é por acaso que ocorreram estes atrasos e culpou pela situação o chefe da ONPE, Piero Corvetto, a quem anteriormente chegou a ameaçar.

Rafael López Aliaga chegou também a afirmar, sem provas, que acreditava numa “tentativa de fraude”, reiterando que não é por acaso que o material eleitoral não chegou a grandes centros de votação em zonas onde os eleitores o apoiam maioritariamente.

A alegação foi rejeitada pelo Presidente interino, José María Balcázar, que descartou qualquer possibilidade de fraude, apesar dos problemas logísticos.

A missão de observação da UE chegou ao Peru no final de fevereiro para acompanhar as eleições gerais e estar presente no dia das eleições deste domingo, tendo mobilizado um total de 150 observadores distribuídos pelas 25 regiões do país.

 

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