
Teerão, 12 abr 2026 (Lusa) – O presidente do Parlamento iraniano afirmou hoje que os Estados Unidos não conquistaram a confiança do Irão e agora devem decidir se são capazes disso, após mais de 21 horas de negociações em Islamabad, que terminaram sem acordo.
“Os Estados Unidos compreenderam a nossa lógica e os nossos princípios, e agora cabe-lhes decidir se conseguem ou não conquistar a nossa confiança”, afirmou Mohamad Baqer Qalibaf, numa mensagem publicada na rede social X.
O líder iraniano fez estas declarações após regressar de Islamabad, no Paquistão, onde concluiu, na madrugada de hoje, o maior contacto negocial entre ambos os países em quase cinco décadas, sem alcançar um acordo, no meio de uma trégua de duas semanas que já vai no quinto dia.
Segundo uma notícia da agência EFE, Qalibaf afirmou que a delegação iraniana apresentou “iniciativas com visão de futuro, mas a outra parte acabou por não conseguir conquistar a confiança da delegação iraniana nesta ronda de negociações”.
O dirigente iraniano referiu que Teerão se apresentou ao diálogo com “boa-fé e vontade”, mas alertou que a experiência de conflitos anteriores impede que se confie na outra parte.
“Devido às experiências das duas guerras anteriores, não confiamos na outra parte”, sustentou.
Além disso, defendeu a combinação de pressão militar e diplomacia como estratégia de Teerão.
“Consideramos a negociação como mais um método da diplomacia do poder, juntamente com a luta militar, para defender os direitos do povo iraniano”, afirmou, sublinhando que o seu país não deixará de consolidar “as conquistas dos quarenta dias de defesa nacional”.
Estas declarações surgem depois de o Irão e os Estados Unidos terem concluído as negociações sem chegarem a um acordo sobre o programa nuclear iraniano e a passagem pelo estreito de Ormuz, restringida por Teerão desde o início da guerra, a 28 de fevereiro.
O vice-presidente dos Estados Unidos, J.D. Vance, partiu de Islamabad com o que definiu como a “melhor e última proposta” da administração Donald Trump, que consiste num “método de entendimento” técnico para fazer avançar as negociações.
Segundo o vice-presidente, o principal obstáculo à assinatura foi a recusa do Irão em assumir um compromisso firme de não procurar obter uma arma nuclear a longo prazo.
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