Inflação no Brasil sobre para 4,14% em março devido ao aumento dos combustíveis

Brasília, 10abr 2026 (Lusa) — A inflação no Brasil acelerou para 4,14% em termos homólogos em março, pressionada pelos custos dos combustíveis e dos alimentos, num contexto internacional marcado pela guerra no Médio Oriente, segundo dados oficiais hoje divulgados.

Depois de terem descido para 3,81% em fevereiro, os preços voltaram a subir em março comparando com igual mês do ano passado, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O índice registou um aumento mensal de 0,88% em março, mais 0,18 pontos percentuais do que no mês anterior.

Por detrás desta subida estão os transportes e a alimentação, com aumentos mensais de 1,6% e 1,5%, respetivamente.

Parte da subida da inflação deve-se ao aumento da gasolina, que subiu 4,5% em março, e do gasóleo, que aumentou 13,9%.

A guerra iniciada pelos EUA e por Israel contra o Irão, e as retaliações do Irão, como o encerramento do estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um quinto do petróleo mundial, provocaram fortes subidas no preço internacional do crude.

Para responder a este aumento, o Governo brasileiro suspendeu impostos sobre a importação, concedeu subsídios às distribuidoras e reforçou a fiscalização para punir movimentos especulativos.

Ainda assim, as medidas têm sido menos eficazes no controlo dos preços do gasóleo, uma vez que o Brasil importa cerca de 30% deste combustível e está, por isso, mais exposto à volatilidade dos mercados.

O Banco Central do Brasil, reduziu a taxa de juro na sua última reunião de março para 14,75% ao ano, a primeira descida desde 2024.

No entanto, a incerteza em torno da duração do conflito no Médio Oriente levanta dúvidas sobre se a instituição manterá os cortes nas próximas reuniões.

 

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