
Lisboa, 09 abr 2026 (Lusa) — Mais de 61 mil bens culturais de museus, monumentos, palácios e sítios arqueológicos portugueses foram digitalizados e estão disponíveis ‘online’ para poderem ser vistos por qualquer pessoa em qualquer ponto do mundo, foi hoje anunciado.
A digitalização aconteceu no âmbito do projeto “Património Cultural 360”, que permite “disponibilizar de forma universal e gratuita o Património Cultural”, “colocando o património na palma da mão das pessoas, tanto de uma criança de dez anos como de um investigador”, salientou o seu coordenador, Luís Sebastian, hoje à tarde, em Lisboa, durante a Sessão Pública de Encerramento do projeto, que contou com financiamento do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR).
Os bens culturais digitalizados foram previamente escolhidos pelos diretores de museus, monumentos, palácios e sítios arqueológicos e entre eles estão os bens classificados como “tesouro nacional” e bens de várias escalas, tipologias e materiais, como uma pequena peça de ourivesaria, uma peça de vestuário, uma pintura, uma fotografia ou uma escultura de várias toneladas.
Os bens culturais digitalizados já podem ser acedidos através do arquivo ‘online’ do Património Cultural, I.P., em https://arquiva.patrimoniocultural.gov.pt/, ou através do ‘site’ https://makingof360.patrimoniocultural.gov.pt/.
Além dos bens culturais, através dos mesmos ‘links’ é possível aceder-se a visitais virtuais, a edifícios, como museus, mosteiros, à Sé de Lisboa e ao Panteão Nacional, a sítios arqueológicos tutelados e a documentários.
No âmbito do projeto foram concretizadas 67 visitas virtuais e 13 documentários.
Embora já possam ser acedidos, todos estes conteúdos vão estar mais tarde disponíveis num portal ‘online’ que “está a ser finalizado”, de modo a “adaptar os conteúdos às necessidades de qualquer cidadão, desde uma criança de dez anos que precisa de preparar um trabalho para a escola, a um investigador que está a fazer um doutoramento”, afirmou Luis Sebastian.
Em declarações à Lusa, à margem da sessão, o coordenador do projeto disse que conta que o portal esteja disponível ao público a partir de junho deste ano.
Embora o projeto “Património Cultural 360” tenha sido dado como concluído, a digitalização de bens não terminou.
Atualmente estão abrangidos 83 imóveis, entre museus, monumentos e palácios, de 36 concelhos e 15 distritos, mas o coordenador do projeto quer que os números aumentem. Para o concretizar diz que seriam precisos mais 15 milhões de euros, “um sonho”, reconheceu.
O “Património Cultural 360”, concluído em 31 de março deste ano, foi financiado pelo PRR, com cerca de 14,4 milhões de euros, aos quais se juntaram 250 mil euros, do Património Cultural, I.P.
A execução do projeto iniciou-se em abril de 2024, sob responsabilidade do Património Cultural I.P., contou com mais de 20 entidades parceiras, entre organismos públicos, autarquias, fundações e arquivos, e envolveu mais de 50 especialistas de áreas como informática, conservação e restauro, modelação e design gráfico e fotografia, bem como investigadores e equipas de 65 museus, monumentos, palácios e sítios arqueológicos.
Presente na sessão pública de hoje, a ministra da Cultura, Juventude e Desporto, Margarida Balseiro Lopes, falou do projeto “Património Cultural 360” como um exemplo de “como a tecnologia pode contribuir para ampliar o acesso à cultura, com especial impacto na aproximação às novas gerações”.
Embora a sessão assinalasse o encerramento do projeto, a governante falou nele como uma “base de trabalho para o futuro, que abre caminho a novas etapas”.
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