Produção moçambicana de rubis dispara para mais de cinco milhões de quilates em 2025

Maputo, 09 abr 2026 (Lusa) – A produção de rubis em Moçambique disparou 29% em 2025, ultrapassando a marca de cinco milhões de quilates, segundo dados oficiais da execução orçamental da responsabilidade do ministério moçambicano dos Recursos Minerais e Energia.

De acordo com os dados, a produção de rubis disparou no ano passado para 5,097 milhões de quilates, face a 4,143 milhões de quilates em 2024, que, por sua vez, também tinha crescido, face a 3,946 milhões de quilates em 2023.

“Relativamente ao rubi, mineral com maior peso no grupo das gemas, registou-se um crescimento exponencial na produção, com uma taxa de realização de 123%, e um crescimento na ordem dos 29%, quando comparado a 2024, como resultado do bom desempenho das mineradoras e aumento da procura no mercado internacional”, lê-se no documento.

O desempenho de 2025 deverá levar a uma revisão em alta do crescimento de 3% para mais de quatro milhões de quilates, estimado pelo Governo para a produção de rubis em 2026, considerando que a meta foi já ultrapassada no ano passado.

Nas previsões orçamentais para este ano, o Governo referiu esperar uma produção total de 4.062.546 quilates.

“Esta previsão está associada à paralisação das atividades de produção da terceira maior empresa produtora desta gema”, refere o documento das previsões orçamentais do Ministério das Finanças.

Cerca de 70% dessa produção é atualmente para exportação, que o Governo pretende elevar a 79% até 2029.

As receitas com a exportação de rubis recuaram 30% no primeiro trimestre de 2025 para 5,1 milhões de dólares (4,4 milhões de euros), segundo dados anteriores do banco central de Moçambique, desempenho que compara com os 7,2 milhões de dólares (6,2 milhões de euros), de janeiro a março de 2024.

Apesar do aumento da produção em 2025, a Montepuez Ruby Mining (MRM), a maior mineradora de rubis em Moçambique, pediu em janeiro último às autoridades moçambicanas “medidas mais proativas” contra os que “financiam, facilitam e incentivam o comércio ilegal de rubis”, após novo incidente mortal com garimpeiros que invadiram aquela concessão, na província de Cabo Delgado.

A Gemfields, que lidera a MRM, já tinha divulgado, em 07 de outubro, que adiou para 2026 o leilão de rubis da mina moçambicana de Montepuez, alegando os impactos da “sabotagem” diária de centenas de mineiros ilegais na nova unidade em construção naquela área, em Cabo Delgado.

Na altura, a empresa disse que “tomou a decisão de adiar o leilão habitual de rubis de novembro/dezembro para janeiro/fevereiro”, devido “ao atraso previamente anunciado na entrada em funcionamento definitivo da segunda fábrica de processamento” da MRM, que foi “agravado pela ação de mineiros ilegais”.

A MRN explicou então que, “embora a operacionalização definitiva ainda esteja prevista para outubro”, o funcionamento da nova fábrica “foi significativamente afetado durante a última semana [finais de setembro, início de outubro] por mineiros ilegais que, atualmente são entre 250 e 400 por dia, sabotando a infraestrutura de abastecimento da fábrica”.

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