
Londres, 07 abr 2026 (Lusa) – Planeadores militares de mais de 30 países debateram hoje as “medidas adequadas” que permitiriam tornar o Estreito de Ormuz “acessível e seguro” após um cessar-fogo no Médio Oriente, anunciou o Governo britânico.
O Reino Unido juntou estes representantes militares numa reunião realizada por videoconferência, na sequência de um encontro diplomático organizado na semana passada e que reuniu cerca de 40 países, incluindo Portugal.
“A conferência analisou as medidas adequadas que uma coligação internacional poderá tomar para tornar o Estreito de Ormuz acessível e seguro assim que as hostilidades terminem”, declarou o Ministério da Defesa britânico num comunicado.
Em retaliação aos ataques iniciados pelos Estados Unidos e Israel desde 28 de fevereiro, o Irão bombardeou bases militares norte-americanas e infraestruturas em países vizinhos do Golfo, bem como bloqueou o Estreito de Ormuz, impedindo e atacando diversos navios que tentavam atravessar esta passagem marítima considerada como crucial para o comércio mundial.
Tal cenário resultou numa quase paralisia desde o início de março desta rota, por onde transita normalmente um quinto da produção mundial de petróleo, bem como de gás natural liquefeito e fertilizantes. A situação está a ter um impacto económico mundial e provocou um forte aumento do preço dos produtos petrolíferos.
Apesar de várias ameaças do Presidente norte-americano, Donald Trump, Teerão mantém o bloqueio há várias semanas, o que levou vários países a mobilizarem-se para discutir medidas que agilizem a reabertura após o fim do conflito.
“Trata-se de um trabalho que visa traduzir o consenso diplomático sobre o Estreito de Ormuz num planeamento militar concreto”, acrescentou o comunicado britânico, precisando que outra conferência de planeamento militar se realizará “na altura oportuna”.
O Ministério da Defesa do Reino Unido não autorizou a comunicação social a assistir a esta reunião, que decorreu a partir da base militar em Northwood, a noroeste de Londres.
Este local serve de centro de comando operacional para o Reino Unido, responsável por supervisionar e gerir operações militares conjuntas em todo o mundo.
O Ministério da Defesa britânico publicou um pequeno vídeo na sua conta da rede social X, mostrando responsáveis militares britânicos em plena conversa telefónica.
Na reunião diplomática da passada quinta-feira, organizada pela ministra dos Negócios Estrangeiros britânica, Yvette Cooper, os mais de 40 participantes, incluindo o chefe da diplomacia portuguesa, Paulo Rangel, exigiram a “reabertura imediata e incondicional” desta rota marítima vital.
Acusando o Irão de tentar “tomar como refém a economia mundial”, os ministros dos Negócios Estrangeiros e os representantes presentes debateram várias áreas de “ação coletiva e coordenada possível”, indicou na ocasião Cooper.
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