Moçambique/Ataques: Populares denunciam circulação de supostos terroristas em Macomia

Pemba, Moçambique, 07 abr 2026 (Lusa) – A população de Mucojo, província moçambicana de Cabo Delgado, denunciou hoje a circulação de supostos terroristas dentro da comunidade, a 40 quilómetros de Macomia, provocando o receio entre os moradores.

Segundo fontes locais, os supostos terroristas surgem como civis entre os residentes e, após alguns dias, desaparecem, deixando os residentes preocupados e com medo de possíveis ataques.

“As vezes lá aparecem pessoas e depois somem, sem as comunidades saberem ao certo para onde vão”, relatou uma fonte, a partir de Macomia.

As fontes acrescentam que alguns suspeitos são jovens da comunidade, alegadamente integrantes do grupo armado que realiza ataques em Cabo Delgado.

“Alguns não são estranhos, são de lá de Mucojo, mas ficam e depois somem sem dizer para onde é que vão”, disse outra fonte.

As informações, acrescentam ainda, são do conhecimento das Forças de Defesa e Segurança, que têm estado no terreno para monitorar a situação e evitar qualquer oportunismo.

“As forças sabem e sempre estão lá em coordenação com as comunidades, monitorizam e tudo fazem para evitar infiltrados”, disse.

A província de Cabo Delgado, rica em gás, é alvo de ataques extremistas há oito anos, com o primeiro ataque registado em 05 de outubro de 2017, no distrito de Mocímboa da Praia.

A organização ACLED estima que a província moçambicana de Cabo Delgado registou dois eventos violentos nas duas últimas semanas, um envolvendo extremistas do Estado Islâmico, que provocaram 13 mortos, elevando para 6.515 os óbitos desde 2017.

De acordo com o último relatório da organização de Localização de Conflitos Armados e Dados de Eventos (ACLED, na sigla em inglês), com dados de 09 a 22 de março, dos 2.342 eventos violentos registados desde outubro de 2017, quando começou a insurgência armada em Cabo Delgado, 2.172 envolveram elementos associados ao Estado Islâmico Moçambique (EIM).

Estes ataques provocaram em oito anos e meio 6.515 mortos, refere-se neste novo balanço, incluindo as 13 vítimas reportadas neste período de duas semanas, pescadores visados, segundo o ACLED, por disparos de militares das Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM).

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