Polícia angolana investiga morte de três trabalhadores em unidade avícola

Luanda, 06 abr 2026 (Lusa) —  O Serviço de Investigação Criminal (SIC) angolano anunciou hoje que está a investigar a morte de três trabalhadores de uma unidade avícola na província do Bengo, alegadamente por asfixia, e prometeu esclarecer o caso.

O SIC disse ter tomado conhecimento do incidente na Fazenda Filomena, município do Panguila, província do Icolo e Bengo, que resultou na morte de três funcionários – um técnico de manutenção, um operador de empilhadora e um ajudante -, no interior de um depósito subterrâneo de óleo girassol.

Segundo o órgão policial, as vítimas, que colhiam amostras, foram sujeitas a elevada exposição de elementos tóxicos sem proteção e que levaram ao seu desfalecimento e consequente perda de vida.

Diante dos factos e “face à gravidade”, o SIC realizou uma inspeção judicial no local, garantido que prosseguem as diligências investigativas para o esclarecimento do caso, em colaboração com as autoridades locais, refere-se na nota de imprensa.

Os trabalhadores morreram na quarta-feira passada e o seu socorro revelou-se tardio. As vítimas deram entrada já sem sinais vitais no Hospital Geral do Bengo, Reverendo Miguel Pereira Inglês, para onde foram transportadas pelo Instituto Nacional de Emergências Médicas de Angola (INEMA).

Segundo o diretor clínico do hospital, Milton Reis, citado pela rádio pública angolana, outros dois trabalhadores que tentaram socorrer os colegas acabaram também por necessitar de assistência médica, após exposição ao mesmo ambiente.

Um dos sobreviventes relatou que, ao ouvir pedidos de ajuda, entrou no túnel, mas começou rapidamente a perder a respiração e quando conseguiram resgatar os colegas já estavam mortos.

A Fazenda Filomena é uma das principais unidades agroindustriais do país, localizada no Panguila, dedicando-se à avicultura e produção de ovos, com capacidade estimada de cerca de um milhão de unidades por dia, além da produção de ração animal e fertilizantes orgânicos.

Até ao momento, a direção da empresa não prestou esclarecimentos. A Lusa contactou a Inspeção Geral do Trabalho, mas não obteve respostas.

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