
Praia, 06 abr 2026 (Lusa) – A União Cabo-verdiana Independente e Democrática (UCID), terceira força parlamentar da oposição, apresentou hoje os cabeças de lista às eleições legislativas de 17 de maio, propondo medidas de democracia participativa, uma plataforma digital de acompanhamento e maior descentralização.
“Prometemos uma política que se vê, que se mede, que se exige. Prometemos um programa baseado em evidências, não em ‘slogans’, e estar presentes nas nove ilhas e na nossa imensa diáspora, com a mesma intensidade, sem hierarquias geográficas”, afirmou o presidente da UCID, João Santos Luís, numa conferência de imprensa na cidade da Praia.
O partido apresenta-se como uma “terceira via”, afastando-se dos alinhamentos ideológicos tradicionais e defendendo uma governação orientada para resultados e sustentada em dados.
Entre as propostas, a UCID defende maior autonomia para as ilhas, reforço da descentralização e mecanismos de participação direta dos cidadãos, como o orçamento participativo e ferramentas digitais de acompanhamento da ação governativa.
João Santos Luís apontou críticas ao atual quadro político, sublinhando a existência de um “crescente problema de descrença” nas instituições e nos partidos.
Quanto às listas para as legislativas de 17 de maio, o partido destacou a diversidade etária e de género dos candidatos.
Foram apresentados os nomes para os 10 círculos nacionais. Dos 135 candidatos, 59 têm até 35 anos e 76 situam-se entre os 35 e os 60 anos. A UCID assegura ainda a paridade de género, com 74 homens e 61 mulheres.
Para os círculos da diáspora, o partido apresenta Júlio César Mendes de Carvalho (África), Carlos Alberto Gomes da Silva (Américas) e Carlos Manuel Pires dos Santos (Europa e resto do mundo).
No plano nacional, foram indicados, entre outros, Elton Sequeira, em São Nicolau, Aldirley Gomes, no Sal, Carlos Gomes, em Santo Antão, Adelgisa Monteiro, em Santiago Norte, João Santos Luís, em São Vicente, Casemiro de Pina, no Fogo, e Alberto De Mello, em Santiago Sul.
A UCID não concorre nos círculos da Boa Vista, Maio e Brava, justificando a decisão com limitações de recursos humanos.
João Santos Luís afirmou que houve tentativas até ao último momento, mas que fatores como “medo, receio de represálias e dificuldades organizativas” inviabilizaram a participação nesses círculos.
O partido diz reforçar a abertura à sociedade civil, com as listas a incluírem profissionais de várias áreas, como engenharia, direito, educação e gestão pública, declarando apostar na qualificação e na ligação às comunidades.
Em 2021, o Movimento para a Democracia (MpD) foi reeleito para um segundo mandato, com maioria absoluta de 38 deputados, face aos 30 do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV) e quatro da UCID, num parlamento com 72 lugares.
Atualmente, o MpD é liderado por Ulisses Correia e Silva, que se recandidata a um terceiro mandato, enquanto o PAICV apresenta o seu presidente e autarca da Praia, Francisco Carvalho, como candidato a primeiro-ministro.
A UCID apresenta o seu presidente, João Santos Luís, como principal rosto político e líder do projeto que o partido pretende levar ao Governo.
Desde as primeiras eleições livres, em 1991, MpD e PAICV têm alternado na governação e na maioria dos assentos no parlamento.
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