
Macau, China, 03 mar 2026 (Lusa) — Os bancos de Macau obtiveram um lucro de 2,71 mil milhões de patacas (292,2 milhões de euros) nos primeiros dois meses do ano, mais 14,3% do que no mesmo período do ano passado.
De acordo com dados oficiais da Autoridade Monetária de Macau (AMCM), divulgados na quinta-feira, a principal razão para a subida dos lucros foi um aumento de 24,4%, para 3,09 mil milhões de patacas (332,1 milhões de euros), na margem de juros, a diferença entre as receitas dos empréstimos e as despesas com depósitos.
Isto apesar de a AMCM ter aprovado três descidas da principal taxa de juro de referência em 2025, a última das quais um corte de 0,25 pontos percentuais, introduzida em 11 de dezembro, seguindo a Reserva Federal norte-americana.
Os empréstimos, a principal fonte de receitas da banca a nível mundial, subiram 0,3% em comparação com fevereiro de 2025, fixando-se em 1,05 biliões de patacas (112,7 mil milhões de euros).
Mas os depósitos junto dos bancos de Macau aumentaram ainda mais, 7,4%, para 1,42 biliões de patacas (152,5 mil milhões de euros) no final de fevereiro passado, disse a AMCM.
Os bancos de Macau obtiveram um lucro de 7,34 mil milhões de patacas (769 milhões de euros) em 2025, quase o dobro do registado no ano anterior (mais 92,7%).
O ano mais lucrativo de sempre para a banca da região administrativa especial chinesa foi 2020, quando os lucros ficaram perto de 17 mil milhões de patacas (1,78 mil milhões de euros).
Macau tem dois bancos emissores de moeda: a sucursal local do banco estatal chinês Banco da China e o Banco Nacional Ultramarino (BNU), que pertence ao Grupo Caixa Geral de Depósitos.
O BNU anunciou no início de fevereiro lucros líquidos de 431,2 milhões de patacas (45 milhões de euros), menos 153,9 milhões de patacas (16,1 milhões de euros) do que em 2024, algo que o banco atribuiu à queda das taxas de juro.
O crédito malparado caiu pelo terceiro mês consecutivo, para 48,8 mil milhões de patacas (5,25 mil milhões de euros), depois de ter encolhido 11,6% em 2025, a primeira queda anual desde 2013.
Os empréstimos vencidos representavam 4,7% dos empréstimos dos bancos de Macau, menos 0,8 pontos percentuais do que em fevereiro de 2025. Uma percentagem que sobe para 5,1% no caso do crédito a instituições ou indivíduos fora da região chinesa.
A Autoridade Bancária Europeia, a agência reguladora da UE, por exemplo, considera que os bancos com pelo menos 5% dos empréstimos malparados têm “elevada exposição” ao risco e devem estabelecer uma estratégia para resolver o problema.
Ainda assim, a percentagem de crédito bancário vencido em Macau está longe do recorde de 25,3% alcançado em meados de 2001, em plena crise económica mundial causada pelo rebentar da bolha especulativa das empresas ligadas à Internet.
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