China retira liquidez do sistema financeiro pela primeira vez em um ano

Pequim, 02 abr 2026 (Lusa) — O banco central da China retirou liquidez do sistema financeiro em março, pela primeira vez em quase um ano, face à subida dos preços do petróleo devido à guerra no Irão, num sinal de prudência.

Segundo cálculos realizados pela agência de notícias financeiras Bloomberg, o Banco Popular da China retirou 890 mil milhões de yuan (111,9 mil milhões de euros) ao longo do mês através de operações de curto prazo em mercado aberto, e outros 250 mil milhões de yuan (31,4 mil milhões de euros) por via de outros mecanismos, como acordos de recompra inversa ou facilidades de empréstimo a médio prazo.

Esta postura marca uma “viragem abrupta” após meses de acumulação de liquidez, depois de as autoridades terem prometido mais apoio face ao contexto de maior desaceleração desde que Pequim pôs fim à política nacional de ‘zero covid’, no final de 2022.

A mudança não responde apenas ao impacto do conflito no Médio Oriente, mas também ao facto de os principais indicadores económicos apontarem para uma recuperação da atividade no início do ano, fatores que estarão a afastar o fantasma da deflação que tem pairado sobre a segunda maior economia mundial nos últimos anos.

Os analistas consideram que o banco central chinês não tem tanta pressa como outros grandes bancos centrais em apertar a política monetária, mas veem cada vez mais difícil que opte por novos estímulos face à incerteza.

Alguns consideram agora menos prováveis os cortes das taxas de juro e dos requisitos de reservas bancárias (percentagem de fundos que um banco não pode emprestar) que tinham sido anteriormente antecipados.

Segundo Lynn Song, do banco ING Bank, as autoridades procuram “guardar munições para quando forem necessárias mais injeções no futuro”, já que a liquidez no mercado interbancário é atualmente “bastante ampla”.

A tendência será confirmada a meio do mês, quando o banco central divulgar dados oficiais sobre o seu balanço, que incluem números relativos aos empréstimos aos bancos comerciais, que tinham crescido durante nove meses consecutivos até fevereiro.

“A postura do banco central continua a ser de prudência. O nível das taxas de juro é mais importante. Desde que as taxas interbancárias não registem volatilidade excessiva, a redução do balanço não deverá ser um problema”, acrescenta Michelle Lam, do banco Société Générale.

Perante o bloqueio do estreito de Ormuz, por onde passa 45% do petróleo que importa, a China registou uma das maiores subidas recentes nos preços dos combustíveis, o que levou os reguladores a intervir para limitar o impacto junto dos cidadãos.

                              

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